Fiesp/Ciesp busca desfecho amigável com Argentina - CIESP

Fiesp/Ciesp busca desfecho amigável com Argentina

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

“É preciso encontrar soluções criativas”, declarou o presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Skaf, sobre decisão do governo argentino de exigir, a partir de 1º de fevereiro, informações prévias sobre todas as importações de bens de consumo.

Segundo levantamento feito pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, aproximadamente 80% das exportações brasileiras ao país vizinho poderão ser afetadas pela medida, envolvendo um universo de mais de 5.500 importadores argentinos, além de colocar em dúvida acordos anteriormente realizados, inclusive no âmbito do Mercosul.

Entretanto, o presidente da Fiesp/Ciesp acredita que entrar em conflito só prolongaria a resolução dos problemas, pois ao apelar para o Tribunal Arbitral ou levar alguns casos à Organização Mundial do Comércio (OMC), por exemplo, o tempo de resposta pode demorar de seis meses a um ano, sem contar o risco de que a sentença não seja cumprida pelo país inquirido.

“Estamos preocupados com a realidade. Se temos uma indústria com contêineres parados, precisando embarcar, não podemos entrar em uma briga que trará solução somente um ano depois, o que não resolve o problema da indústria, nem do Brasil”, afirma Skaf. “Isso não significa que iremos facilitar. Contamos que o governo brasileiro faça pressão, mas paralelo a isso, devemos encontrar caminhos alternativos, de forma criativa e amiga.”

Para o líder da indústria paulista, uma saída que traria benefícios para ambos os lados é encontrar setores que precisam ser desenvolvidos na Argentina, mas que já são consolidados no Brasil, como por exemplo, a indústria naval.

Os argentinos possuem um potencial ocioso enquanto a Petrobras precisa comprar navios. “Conceder uma abertura para que eles construíssem para nós, sempre respeitando, é claro, os índices de nacionalização, não nos prejudicaria e, em troca poderíamos negociar as questões dos manufaturados brasileiros.”

Paulo Skaf também já pediu audiência com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, para argumentar que o Brasil, por ser membro do Mercosul, deve ter tratamento diferenciado quanto à nova política de importação. A ideia é que as restrições se destinem apenas a outros países exportadores, como os asiáticos.