Especialista em urbanismo e meio ambiente defende planejamento para ocupação do solo - CIESP

Especialista em urbanismo e meio ambiente defende planejamento para ocupação do solo

José Pedro de Oliveira Costa ressalta a importância de valorizar as obras de engenharia sustentável e de buscar a integração entre desenvolvimento e equilíbrio ambiental
 
Em um dia inteiramente dedicado a discutir questões de infra-estrutura dentro de uma perspectiva ambiental, os participantes da Semana Fiesp-Ciesp de Meio Ambiente 2008 ouviram ontem (3) as considerações sobre ocupação do solo sem prejuízo do equilíbrio ambiental e da biodiversidade, feitas pelo especialista José Pedro de Oliveira Costa, que integra o Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp.
 
Especialista em Arquitetura Contemporânea, mestre em Planejamento Ambiental pela University of California e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo, Costa também integra o Conselho da União Internacional Para a Conservação da Natureza, é membro-fundador da Fundação Pró-Natureza e é sócio da Fundação SOS Pró-Mata Atlântica e da Associação de Defesa da Juréia.
 
Com esse amplo currículo em planejamento urbano e Meio Ambiente, Costa apresentou um painel em que destacou a importância da realização de obras de infra-estrutura que levem em conta as peculiaridades ambientais das regiões em que serão instaladas. Como exemplo de engenharia sustentável, ele citou a segunda pista da Rodovia dos Imigrantes, que, ao privilegiar a construção de túneis e de pistas elevadas, permitiu evitar um impacto ambiental negativo, como a interrupção dos corredores ecológicos, na Serra do Mar – que, desde 1991, é declarada Reserva da Biosfera pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
 
Costa também defendeu a importância das reservas legais: “Destruir toda mata nativa de uma região é uma barbeiragem difícil de corrigir”, comentou, lembrando que a degradação ambiental pode se refletir em tragédias como o deslizamento da encosta da Serra do Mar ocorrida no Município de Cubatão, em 1985.
 
A ocupação ideal, na opinião do especialista, se daria com a adoção de três modelos de uso do solo: a proteção integral de áreas criteriosamente escolhidas, o aproveitamento sustentado de outras, e o uso intensivo do restante. “Por ser o detentor de amplas áreas virgens, o Brasil ainda tem o privilégio de poder planejar a ocupação de suas terras”, afirmou Costa.
 
O palestrante levantou um tema polêmico – o crescimento excessivo da população – e ponderou que, se todos os habitantes do planeta conseguissem ter um padrão de consumo nos mesmos patamares dos cidadãos de Primeiro Mundo, já teríamos uma situação insustentável. “Rediscutir hábitos de consumo e pensar numa política habitacional mundial são questões que vão se colocar necessariamente”, declarou.