Energia eólica é competitiva, mas precisa de incentivo e regras claras - CIESP

Energia eólica é competitiva, mas precisa de incentivo e regras claras

A tônica do painel Energias Renováveis do 10º Encontro Internacional de Energia, realizado pela Fiesp/Ciesp, dias 5 e 6, no Hotel Unique, em São Paulo, foi a falta de regras claras e de financiamento para o setor.


O País conta atualmente com três fortes pontos eólicos – no Planalto de Diamantina (BA), na costa riograndense e na costa nordestina (MA, PI, CE e RN) –, mas o mapa está em fase de atualização.


O potencial foi destacado por José Carlos Miranda Faria, diretor de Estudos de Energia Elétrica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e concentra-se especialmente nas regiões Sudeste e Nordeste, sendo que este responde por 72% do total. Com a iniciativa do Proinfa, a oferta subiu de 247 MW, em 2007, para 547 MW, em 2009, e previsão de 1.427 MW, em 2012.


“Faltam linhas de incentivo para tornar a eólica mais competitiva em um cenário ancorado nas hidrelétricas”, criticou Faria. O ideal seria o preço do megawatt da energia eólica cair de R$ 200 para o patamar de R$ 140. A atualização também deve envolver o primeiro plano Nacional de Energia já com projeções para 2035 e maior participação da eólica, biomassa e gás natural devido ao pré-sal.


O Brasil tem apelo específico: a complementaridade sazonal. No primeiro semestre do ano, a participação das hidrelétricas é expressiva; no segundo, os ventos sopram mais forte, movimentando a eólica, conforme avaliação de Lauro Fiuza Junior, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica).


Tributos


Um dos grandes entraves é a carga tributária, em torno de 30%. Fiuza defende a desoneração fiscal para a formação de preços. O setor se assenta em três cadeias: montagem dos parques, geração e transmissão e distribuição. E os custos de transporte batem em 15%.


“O vento continua soprando e não o estamos aproveitando”, avisou Ciro Ruiz Filho, de gerenciamento e projetos da Geprowind. E completou: “A energia eólica cresce exponencialmente, em todo o mundo, com investimentos privados e regulação”. O Brasil já exporta componentes para a energia eólica, comprovando sua expertise.


Segundo Ruiz, citando o Plano 10/10, se forem implantados 1.000 MW/ano, com investimentos da ordem de R$ 5 bilhões/ano, em 13 anos se teria uma Itaipu só com a força dos ventos, comprovando a vocação de matriz energética limpa do País.


Globalmente, os investimentos no setor chegam a US$ 30 bilhões/ano. Para o CEO da Impsa Wind, Luís E. Pescarmona, “na América Latina, a eólica representa 1% apenas, o que significa que há muito espaço para crescimento, especialmente no Brasil”.


Com olhar crítico de quem dirige uma empresa com DNA argentino, hoje multinacional do setor, Pescarmona elencou os principais problemas a serem enfrentados: formação de mão de obra especializada, estabelecimento de regras claras e experiência por parte das entidades financeiras.


Expectativa quanto ao leilão, em novembro


Quanto ao leilão do dia 25 de novembro, os palestrantes do painel esperam que ele promova aprendizado com o ajuste de preços, tenha mais fornecedores e aperfeiçoe regras.


“É preciso incentivar os leilões anuais”, pediu Fiuza, da AbeEólica, refletindo a recente afirmação do ministro Edison Lobão (Minas e Energia) de realização de um ou dois leilões de energia a cada ano.


A estimativa de leilão de energia de reserva para 2009 é de 13.341 MW, considerando-se 441 empreendimentos.


No encerramento, o deputado federal Rodrigo Loures (PMDB-PR), lembrou que, na próxima quarta-feira (14), deverá ser votado o primeiro marco legal de energia renovável, na Câmara.


Vantagens da energia eólica



  • É a menor emissora de gases do efeito estufa em sua produção, entre as fontes de energia;


  • É barata, renovável e a que mais cresce no País;


  • O Brasil detém tecnologia madura e conta com fornecedores de equipamentos e serviços;


  • Qualquer energia gerada pela eólica economiza petróleo, carvão e água, gerando ganhos ambientais;


  • Trata-se de mercado autosustentado;


    Gera empregos e promove benefícios no entorno das áreas instaladas.


    Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp