Empresários discutem criatividade nos negócios em encontro do NJE - CIESP

Empresários discutem criatividade nos negócios em encontro do NJE

A adaptação das empresas às novas condições de mercado, cada vez mais direcionadas para a sustentabilidade dos negócios, foi o tema principal do VI Encontro Estadual de Jovens Empreendedores do Ciesp, que reuniu mais de 450 empresários nesta quarta-feira (19) na regional de Jundiaí.


Para Marcos Andrade, diretor-titular do Núcleo de Jovens Empreendedores (NJE) da entidade, a teoria da evolução de Charles Darwin pode ser facilmente aplicada à condição de sobrevivência das empresas em um mercado competitivo, em que os produtos ambiental e socialmente responsáveis ganham mais espaço entre os consumidores.


“Os dinossauros não se adaptaram à nova condição da Terra e acabaram extintos. Da mesma forma, as empresas que não se adaptarem à nova condição de mercado estarão fora dele”, comparou o diretor. “Melhor é procurar a mudança do que ser forçado a mudar. Acho que essa é a grande mensagem desse encontro”, sublinhou.


Andrade fez um paralelo com a crise financeira que aterrisou em solo brasileiro em setembro do ano passado, e explicou por que a tarefa do empreendedor deve sempre estar ligada à inovação, tema do encontro anual do NJE.


“Essa crise, que ninguém podia prever, mudou todo o planejamento. Mesmo assim, as empresas mais flexíveis e que trabalham a inovação talvez tenham condições de se adaptar mais facilmente, procurando novas formas de fazer negócio que viabilizem sua competitividade”, reforçou.


Exemplo empreendedor
O navegador Amyr Klink, que tem 25 anos de experiência em viagens pela Antártica, falou sobre inovação e criatividade ao público de jovens lideranças no Ciesp. Klink customiza a construção de barcos com matéria-prima especial, em seu estaleiro em Itapevi, interior de São Paulo. Ele aboliu, por exemplo, o uso da madeira, e estuda a utilização de substitutos como eucalipto e bambu, ainda em pequena escala.

“A pressão constante do custo e do cliente são muito saudáveis. Mas o empresário não pode se obrigar a inovar pura e simplesmente. Deve pensar em ser mais eficiente, sem colocar em risco o seu negócio”, sublinhou o navegador.


Para Klink, se o empresário brasileiro começar a usar seu diferencial de criatividade e agilidade para pensar o futuro de maneira estratégica, o Brasil vai dar um salto tecnológico muito grande. “Temos enorme capacidade de sobrevivência, superação de obstáculos e de falhas estruturais do país. Esse é o grande mérito do empreendedor brasileiro”, considerou.


Inovação… apesar da crise
Paulo Skaf, presidente do Ciesp e da Fiesp, fez o encerramento do encontro do NJE e passou confiança aos jovens que pensam em abrir ou acabaram de montar seu negócio. O dirigente aposta em um novo ciclo de crescimento após a crise.

“Não tenho dúvida de que aquele que montar o seu negócio com criatividade, buscando sempre a inovação, com responsabilidade e equilíbrio, dando os passos conforme suas próprias pernas, vai ter sucesso. Até porque as crises são passageiras”, indicou Skaf. “As palavras-chave são inovação, tecnologia, educação e infraestrutura. Precisamos caminhar para essas direções, para que possamos reposicionar o Brasil no mercado global”.


Skaf destacou a perda de 500 mil postos de trabalho na indústria brasileira de outubro passado a março deste ano, a principal atividade atingida pela crise financeira, mas está confiante na recuperação do setor.


“Pelas sondagens que temos feito, sentimos que as pessoas estão mais otimistas. Há sinais positivos para a indústria”, afirmou, sem desconsiderar que uma retomada efetiva de produção e geração de emprego depende do mercado global. “O Brasil não é uma ilha, cerca de 20% da produção nacional é exportada. Se os principais mercados continuarem retraídos, isso vai acabar nos afetando. Mas quero crer numa melhora constante daqui para frente, mesmo que seja lenta”, ponderou.


Apesar da fatia destinada à exportação, 80% da produção brasileira é voltada ao mercado interno. Nesse sentido, Skaf insistiu no aumento de crédito, juros mais baixos e desoneração tributária para reativar os setores produtivos – esta última medida, responsável pelo crescimento de 40% na venda de automóveis este ano, com a redução do IPI.


Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias