Emprego na indústria tem o pior novembro desde 2006 - CIESP

Emprego na indústria tem o pior novembro desde 2006

 

O setor produtivo paulista fechou 46,5 mil postos de trabalho em novembro, uma queda de 0,80% em comparação ao mês anterior, com ajuste sazonal, sinalizando o pior novembro dentro da série histórica da pesquisa da Fiesp/Ciesp, que começou em 2006 . Na leitura sem ajuste sazonal, a taxa de redução de postos de trabalho na indústria também ficou negativa em 1,74%, em relação a outubro.

A situação é difícil até mesmo para prever o futuro uma vez que o cenário de crise mundial e constante desaceleração da indústria de transformação nacional tem criado um ambiente de instabilidade, colocando em risco qualquer projeção, avaliou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo.
“No segundo semestre do ano, o emprego industrial entrou em clara rota de decréscimo. Devemos terminar com variação negativa comparativamente a dezembro do ano passado, talvez o resultado vá chegar a alguma coisa próxima de 2%”, afirmou ele.

Segundo o diretor, o saldo positivo de 36 mil postos criados no acumulado do ano, o que representa um aumento de 1,40% em novembro, devem ser transformados em menos 41 mil empregos.

Do total de vagas fechadas, 28.031 correspondem ao setor sucroalcooleiro, o qual apresentou queda de 1,05% em novembro. No acumulado do ano, o setor registrou uma variação ligeiramente positiva de 0,30%, com a criação de 7.596 postos.

Os demais setores também registraram resultado positivo, de 1,10%, gerando 28.404 novos postos de trabalho de janeiro a novembro. Em contrapartida, somente no mês de novembro foram fechadas 18.469 vagas entre os setores, excluindo açúcar e álcool.

A Fiesp/Ciesp projeta uma variação positiva de 2,8% para o PIB em 2011. “Para a indústria de transformação, neste ano vamos chegar a 0,5%, basicamente um resultado muito próximo a zero”, avaliou do diretor.

De acordo com Francini, o prognóstico para 2012 “está sujeito a muitas chuvas e trovoadas porque fazer previsão com o mundo relativamente conturbado, em uma crise que ainda não mostrou com clareza o seu rosto e a sua dimensão, é muito complicado.”

Para o ano de 2012, as expectativas da entidade flertam com uma taxa de crescimento de 2,6%.“ Mas quem nos ensina a fazer previsão é a realidade, que vai mudando e vamos correndo atrás dela.”

Setores e regiões

Das atividades analisadas no levantamento, 14 (65% do total das diretorias regionais do Ciesp) apresentaram efeitos negativos, três ficaram estáveis e outras cinco registraram variação positiva. Fabricação de Coque, de Produtos Derivados do Petróleo e de Biocombustíveis apresentou a maior queda com 8,8% em novembro, seguido por Produtos Alimentícios, com 8,3%.

“Esse efeito só tem paralelo em novembro de 2008, quando chegamos a13 (regiões) e estávamos exatamente no início da crise. Ou seja, um resultado bastante ruim e com uma participação especialmente forte de açúcar e álcool”, informou Francini.

Os segmentos de Bebidas e de Máquinas e Equipamentos registraram alta de 1,1% e 0,3% respectivamente, impulsionados principalmente pelo alto consumo de bebidas durante as festas neste período do ano.

O Índice de Emprego apurou ainda que, das 36 regiões analisadas, 31 (80% do total) apresentaram quadro negativo, três, tiveram estabilidade e duas, variação positiva.

A região de Sertãozinho apontou o maior comportamento de queda com 8,06%, seguida por Jaú, com baixa de 7,68%, e Piracicaba, com recuo de 6,51%. A primeira cidade foi influenciada pela baixa nos setores de Produtos Alimentícios (-13,90%), também pressionados por açúcar e álcool, e Equipamentos de Informática e Produtos Elétricos (-0,40%).

O indicador de Jaú também foi abatido por Produtos Alimentícios (-22,96%) e por Artefatos de Couro e Calçados (-2,27%), enquanto Piracicaba foi abatida por Produtos de Metal, exceto Máquina e Equipamentos (-0,74%), além de Produtos Alimentícios (-26,54%).

Dentre as regiões com comportamento positivo estão Jacareí (0,16%), puxado por Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (3,45%) e Produtos Têxteis (1,48%). Em seguida, Marília registrou o segundo melhor indicador com alta de 0,15%, impulsionado pelos ganhos em Produtos Alimentícios (0,78%) e Máquinas e Equipamentos (0,65%).

O índice de Limeira também foi destaque de alta com 0,06%, estimulado pelo bom desempenho em Máquinas e Equipamentos (1,85%) e Produtos Diversos (0,61%).

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp