Emprego industrial sobe 2,75% em abril - CIESP

Emprego industrial sobe 2,75% em abril

 

A indústria paulista de transformação fechou o mês de abril com geração de 62 mil postos de trabalho, ou variação de 2,75% ante março, segundo pesquisa divulgada hoje (15) pelo Ciesp e pela Fiesp. Foi o melhor mês de abril da série histórica da pesquisa, desde 2003, e a maior variação percentual mensal desde julho de 2005. A maior parte das vagas (80%, ou 50 mil) foi gerada pelos setores ligados à indústria sucroalcooleira. “É o mês de maior importância para o setor, já que se inicia a colheita e produção de açúcar e álcool. Esse fator tem um grande reflexo na geração de emprego”, afirmou Paulo Francini, diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades.

 
O número de postos criados no mês é equivalente às vagas abertas no primeiro trimestre do ano, o que reforça a responsabilidade do setor sucroalcooleiro na geração de emprego na indústria. “É uma atividade que passa por um forte processo de expansão nos últimos anos, que nunca ocorreu neste grau na história recente. É uma nova tendência que estamos observando”, enfatizou Francini. Na série dessazonalizada do índice houve alta de 1,04% – maior percentual mensal desde junho de 2006. No acumulado do ano o crescimento é de 5,85%, o que corresponde à criação de 127 mil vagas – das quais 94 mil, ou 74%, estão ligadas aos setores de açúcar e álcool. Em relação a abril do ano passado, a alta é de 5,44%.
 
Indicadores setoriais
Dos 21 setores que compõem a amostra da pesquisa, 16 tiveram bom desempenho em relação às vagas geradas no mês passado, três tiveram desempenho negativo e dois mostraram estabilidade nas contratações. Os segmentos que mais contrataram no mês foram Coque, Refino de Petróleo e Álcool (15,80%), Alimentos e Bebidas (13,18%) e Máquinas para Escritório e Equipamentos de Informática (11,36%). A variação negativa ficou por conta dos setores de Móveis e Indústrias Diversas (-1,23%), Edição, Impressão e Reprodução de Gravações (-0,26%) e Produtos de Madeira (-0,13%).
 
Regiões
Das 36 Diretorias Regionais do Ciesp pesquisadas, 29 tiveram bom desempenho no mês e sete registraram queda. Araçatuba foi a campeã em contratações, com crescimento de 10,94% – puxado por Produtos Alimentares (36,92%) e Álcool e Refino de Petróleo (31,63%). Sertãozinho ficou em segundo lugar, com alta de 6,69%, puxada pela produção nos setores de Produtos Alimentares (9,51%) e Metalúrgica (2,50%), ambos ligados às usinas de açúcar e álcool. Em terceiro lugar, Franca também apresentou elevação de 6,69% na geração de empregos na indústria, com destaque para Produtos Alimentares (35,11%) e Couro e Artefatos de Viagem (3,33%).
 
As regiões com desempenho negativo em abril, porém em menor percentual em relação aos setores com desempenho positivo, foram Mogi das Cruzes (-1,22%), puxada por Mobiliário (-23,36%) e Metalúrgica (-0,22%); Santos, com queda de 1,18% influenciada pelos setores de Máquinas e Equipamentos (-14,78%) e Metalúrgica (-1,52%); e Matão, em função da retração nos segmentos de Produtos Alimentares (-2,67%) – devido à sazonalidade na produção de suco de laranja – e Máquinas e Equipamentos, com queda de 0,26%.
 
Balança comercial
A Fiesp e o Ciesp apresentaram novas projeções para o saldo da balança comercial ao final do ano, de acordo com cinco cenários que consideram diferentes estimativas para os fatores petróleo, produção industrial e valorização cambial. No cenário base, que considera o barril do petróleo a US$ 100, produção industrial mensal a 5% e uma valorização adicional de 5% no câmbio, o saldo ficaria em 17,6 bilhões de dólares em 2008 – correspondendo à projeção mais otimista. As exportações ficariam em 179,9 bilhões de dólares, e as importações em 162,3 bilhões.
 
Em um cenário mais pessimista, o saldo da balança seria de 9,5 bilhões de dólares, mantida a projeção para a produção da indústria e considerando o barril do petróleo a US$ 110, e uma valorização cambial adicional de 10%. As exportações, nesse caso, somariam 178 bilhões de dólares e as importações, 168,5 bilhões. “O aumento da produção doméstica pressiona a balança pela importação de bens intermediários pela indústria”, considerou Francini.
 
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Agência Ciesp de Notícias
Mariana Ribeiro
15/05/2008