Economista aponta Previdência como maior vilão do déficit público - CIESP

Economista aponta Previdência como maior vilão do déficit público

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

Especialista em Finanças Públicas e Previdência Social, o economista Fábio Giambiagi, foi o palestrante da reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp, do qual também é conselheiro. Realizado na segunda-feira (8/11), o encontro teve a condução do também conselheiro do Cosec, Andrea Calabi.

Depois de contextualizar com riqueza de detalhes o déficit público nas décadas de 1980 e 1990, Giambiagi avaliou os avanços ao longo das últimas quatro décadas e disse que embora o setor público possa ser mais eficiente, o corte de despesas com pessoal não é o caminho para o equilíbrio das contas. “Estará divorciado dos fatos aquele que afirmar que o gasto público se deve ao aumento da folha. Desde 2016 esses custos apenas seguem a correção inflacionária”, explicou o especialista.

Por outro lado, Giambiagi apontou o gasto com a Previdência como o maior vilão, uma vez que as despesas do governo saíram de aproximadamente 3% do PIB em 1991 para 8,9% em 2020. “Isso sim, causou substancial aumento da despesa. E a má notícia é que não há a menor possibilidade de mexer nisso em curto prazo”, avaliou.

Para ele, a reforma realizada recentemente foi boa, mas precisa de complementos. Devido a três anos de debates exaustivos sobre tema, do ponto de vista político é impossível, porém, encontrar espaço para voltar a tratar do assunto em 2023. “Talvez em 2027 ou 2031, quando houver fôlego para que um novo governo proponha qualquer alteração”, disse.

A fim de realizar os ajustes necessários, Giambiagi defende a ideia de nova regra de teto e subtetos para os gastos agregados e mais entendimento entre políticos e economistas. “O que não pode acontecer é ter um subteto crescente que empurre o teto. Falta interação dos economistas com os políticos. Quando um entender melhor o outro será mais fácil conduzir essas questões todas”, completou ele.

Outro ponto criticado pelo conselheiro do Cosec foi o contraste flagrante entre os avanços tecnológicos, como a disponibilidade de estatísticas de excelente qualidade, e a dificuldade em aprovar peças do ciclo orçamentário. “Hoje contamos com dados em tempo real, temos diagnóstico adequado. Contudo, também precisamos de celeridade, convicção, persuasão, resiliência, articulação e liderança. E esse papel crucial deve ser entendido pela classe política”.

Gasto com a Previdência saiu de 3% do PIB em 1991 para 8,9%, em 2020. Fotos: Karim Kahn/Fiesp