DAEE anuncia fiscalização nas indústrias e alerta para suspensão de outorgas - CIESP

DAEE anuncia fiscalização nas indústrias e alerta para suspensão de outorgas

Em reunião promovida pelo Ciesp, superintendente do órgão estadual sugere que empresas busquem outras fontes de abastecimento, como poços artesianos e água de reuso

A restrição ao uso da água chegou às indústrias instaladas no Alto Tietê. Em reunião promovida pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) na última terça-feira (10), o superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), Ricardo Borsari, anunciou o início da fiscalização nas empresas com vistas à identificação de possíveis situações de irregularidade na captação de água. E mesmo para as que atuam de forma legal, ele adiantou que as outorgas podem vir a ser suspensas a qualquer momento, caso a crise hídrica se agrave ainda mais. A prioridade da água, afirmou o superintendente, é o consumo humano. Para o setor industrial não ficar desabastecido e evitar a parada da produção, as alternativas apontadas pelo representante do governo estadual são a perfuração de poços artesianos e a utilização de água de reúso.

Aos representantes da indústria que compareceram ao auditório do Sesi, em Braz Cubas, o recado do superintendente do DAEE foi claro: para quem possui outorga, neste primeiro momento a solicitação é para “economizar no limite possível”, algo em torno de 30%. E as indústrias que eventualmente não tiverem outorga, serão obrigadas a parar imediatamente a captação. As primeiras fiscalizações começaram na última segunda-feira e foram focadas em indústrias de Mogi das Cruzes. Como a outorga é um dos requisitos para a licença de operação, a expectativa é de que não sejam encontradas irregularidades no setor.

Segundo o DAEE, na Bacia do Alto Tietê 96 indústrias possuem outorgas de captação superficial. Mesmo essas, poderão ser impedidas de fazer a retirada de água dos rios, dependendo da dimensão que a crise hídrica tomar até o dia 30 de abril.

“Infelizmente essa reunião acontece para notícias que a gente não gosta de dar. Nós tivemos o pior mês de janeiro de chuvas de toda a série histórica e nos preparamos para o que possa vir a acontecer na seca. E vou ser sincero, dependendo do cenário que tenhamos a partir de 30 de abril, as outorgas poderão ser sustadas a qualquer momento”, ressaltou Borsari. “Mas se for preciso alguma medida mais drástica, eu volto para avisar vocês antes”, prometeu o superintendente ao comentar que a disponibilidade hídrica, per capita, existente na Região Metropolitana de São Paulo, onde vivem 22 milhões de pessoas e na qual o Alto Tietê está inserida, é menor do que a do semiárido nordestino e, portanto, todos terão de entender que a água é um bem finito e mudar os seus hábitos.
“Vai chegar o momento em que será preciso atuar sobre as atividades outorgadas e, por isso, recomendo ações no sentido de mudar a fonte, seja por poços ou com o reuso, que acredito ser o futuro”, sugeriu Borsari.

Sobre essas alternativas para indústria não ficar desabastecida, o DAEE adiantou que vai instalar um escritório na Região para atender as solicitações de novos poços artesianos. E no caso de reuso, há disponibilidade para retirada pelas indústrias nas estações de tratamento de esgoto de Mogi das Cruzes (Semae) e de Suzano (Sabesp). Não haverá custos, mas em contrapartida a empresa deve economizar o uso de água tratada.

“Essa medida é viável para empresas pequenas, que demandam pouca água. Mas numa empresa que consome 1 mil, 2 mil metros cúbicos de água por dia, será preciso um mundo de caminhão para buscar essa água de reuso. Isso custa dinheiro e torna essa alternativa inviável”, argumentou o diretor do Ciesp Alto Tietê, Werner Stripecke, que levantou a possibilidade de investimentos – via iniciativa privada – na implantação de redes para levar essa água de reuso até os polos industriais, semelhantes ao que já é feito em Mauá. “Isso foi discutido com as empresas no ano passado, mas não houve interesse. Agora, diante desse novo cenário, deveremos novamente colocar isso em discussão”, acrescentou.

Segundo o diretor do Ciesp, as informações dadas pelo superintendente do DAEE não amenizam em nada a apreensão do setor industrial sobre uma possível falta de água, até porque o cenário apresentado foi realista e mostra que a situação pode ficar pior em relação ao que se tem hoje. “Será preciso buscar alternativas, promover um uso consciente e fazer mais com menos água”, admitiu Stripecke.

Ele pontuou que mais do que nunca as empresas precisarão investir em sistemas de reuso, visto que a água é um bem finito. Além de colaborar com a preservação dos recursos, o reaproveitamento de água proporciona economia para as indústrias, que hoje já pagam pelo uso desse recurso.

O Alto Tietê possui cerca de duas mil empresas. De acordo com dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), cerca de apenas 50 indústrias possuem sistemas de reuso significativo da água e apenas uma, de Mogi das Cruzes, tem reaproveitamento de 100% dos efluentes.

Mara Flôres
Assessora de Imprensa Ciesp – Alto Tietê