Contencioso entre Argentina e Brasil deve ser resolvido em mesa de negociações - CIESP

Contencioso entre Argentina e Brasil deve ser resolvido em mesa de negociações

A solução para os recentes impasses comerciais entre Argentina e Brasil deve vir de negociações capitaneadas por empresários dos vizinhos sul-americanos. A afirmação foi feita nesta quinta-feira (19) por lideranças da iniciativa privada de ambos os países, reunidas no Encontro Empresarial Brasil-Argentina, que a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp e Fiesp) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) realizam na capital paulista até sexta-feira (20).









Foto: Anderson T. Ferreira

Martins – Mercosul tem mecanismos jurídicos próprios para ajudar Brasil e Argentina a superar problemas comerciais


“Se temos problemas comerciais, nós [empresários] que estamos acostumados a negociar é que temos que sentar e conversar”, afirmou o diretor de Comércio Exterior do Ciesp, Ricardo Martins. “A conversa por setores vai facilitar o entendimento entre ambos os lados”, sinalizou.

Na avaliação do dirigente, não é necessário recorrer a organismos internacionais para se chegar ao entendimento comercial. “Os marcos regulatórios do Mercosul são suficientes para nós resolvermos os problemas, sem recorrermos à OMC [Organização Mundial do Comércio]”, garantiu. “Somos países irmãos, fronteiriços, e temos canais para solucionar contenciosos”, completou Martins.

Sinalizando na mesma direção, o presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo, Alberto Alzueta, defendeu a ampliação da corrente de comércio bilateral sem barreiras.

“Cotas não são a saída. Temos que ampliar o comércio sem restrições. Se há problemas, temos que resolvê-los. As reuniões setoriais vão ajudar a identificar onde aperta o sapato”, declarou.

Para Guillermo Jucúlika, representante da Unión Industrial de Salta, “quem tem de sentar à mesa e definir acordos são os empresários”. O dirigente da entidade da província (estado) ao norte da Argentina ressaltou que entendimentos comerciais devem ser concluídos por “quem sente suas atividades afetadas”.

Exemplos de entendimento
Ricardo Martins apontou a solução encontrada para o setor de automotivo como um caso que pode servir de espelho para os demais segmentos produtivos em conflito.

“Se nós chegarmos a um entendimento igual ao da questão dos automóveis, vamos resolver mais esse problema”, disse o diretor do Ciesp, referindo-se ao acordo que possibilitou a revitalização da zona industrial automotiva da província argentina de Córdoba e equilibrou as exportações de veículos entre os países.

Já Alberto Alzueta recordou os acordos na área de papel e celulose, que possibilitaram aos argentinos revitalizar seu parque produtivo com apoio dos brasileiros. “É esses setores em que fomos vitoriosos que temos de seguir”, indicou.

SegundoGuillermo Jucúlika, Brasil e Argentina podem aproveitar o momento para se aproximar tecnologicamente e avançar sobre outros mercados. “Temos que olhar o mundo em conjunto”, disse.

Casa cheia
Estão agendadas 540 reuniões para a rodada de negócios que acontece nesta quinta-feira (19), entre representantes de150 empresas brasileiras e 167 argentinas dos setores de alimentos e bebidas; engenharia e construção civil; máquinas e equipamentos; serviços; têxtil e artefatos de couro; tecnologia da informação; produtos diversos.

Lula e Kirchner
Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Fernandéz de Kirchner fazem encerramento do EncontroEmpresarial Brasil-Argentinanesta sexta-feira (20), após reunião diplomática no edifício sede da Fiesp e do Ciesp.

Leia mais
Lula e Kirchner: contencioso será superado com maior comércio
Lula cobra efetivação de acordo para projetos de infraestrutura nos países

G-20: Para Lula e Kirchner, reformulação das instituições financeiras internacionais é inadiável

Encontro Brasil-Argentina organizado pela Fiesp fortalece América do Sul, destaca Lula

Crise exige que Brasil e Argentina intensifiquem a integração regional

Rodada de Negócios reúne empresários de peso dos dois países na Fiesp e no Ciesp


 

Nivaldo Souza, Agência Ciesp de Notícias