Consumidor consciente é combustível da sustentabilidade - CIESP

Consumidor consciente é combustível da sustentabilidade

Exigente com o que compra e atento ao uso que as indústrias fazem de recursos naturais para produzir, um novo perfil de consumidor está motivando a mudança de postura que as empresas brasileiras passam a adotar para competir no mercado globalizado. A avaliação foi feita nesta quinta-feira (4), durante a XI Semana Fiesp-Ciesp de Meio Ambiente, realizada na sede das entidade em São Paulo.

“O nível de informação a que as pessoas têm acesso hoje, está criando um perfil de consumidor que valoriza a compra de produtos fabricados por empresa sustentáveis. Este critério passará a ser, cada vez mais, o determinante do sucesso ou não das empresas”, afirmou Rafael Cervone Netto, 1° vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo.

Para o dirigente do Ciesp, surge paralelamente a percepção de oportunidades de negócios pelas empresas, que passarão a viabilizar economicamente seus empreendimentos a partir atividades como a reutilização de resíduos.

“A indústria está trabalhando não só o monitoramento e o controle ambiental, mas também técnicas de prevenção à poluição. Esta orientação é inovadora porque estimula um trabalho racional de uso dos recursos naturais. Isso quer dizer que as empresas estão pensando também na destinação dos resíduos, que podem gerar novos negócios na medida em que aquilo que não for utilizado por uma empresa poder se tornar matéria-prima para outra”, avaliou.

Caminho da sustentabilidade
Embora a decisão das empresas pelo desenvolvimento sustentável esteja assegurada, o diretor-titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, ressalta que a “caminhada em direção à sustentabilidade” envolve a superação de obstáculos.

Os desafios, segundo o executivo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, passam pelas esferas políticas e econômica, assim como as reformas previdenciária, trabalhista e tributária. “A definição de uma política industrial sustentável para o Brasil, tendo em vista as particularidades regionais, é um dos desafios dessa caminha em busca do desenvolvimento sustentado”, pontuou.

Nesse sentido, o diretor do DMA da Fiesp indica como principais gargalos do país na área ambiental:

– Os baixos incentivos fiscais e linhas financiamento para projetos de sustentabilidade;
– A necessidade de aprimorar investimentos públicos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), visando assumir a inovação tecnológica como mecanismo essencial da promoção de métodos de produção mais limpa;
– Transferência de tecnologias que modernizem o parque industrial brasileiro.

Nelson Pereira dos Reis também listou medidas necessárias no campo da educação, apontado por ele como primordial para engajar empresários, políticos e sociedade civil na defesa da preservação ambiental. São elas:

– Profissionalização da gestão pública, por meio da capacitação de agentes reguladores da área;
– Formação empresarial conjugada com as políticas públicas de gestão;
– Educação básica, fundamental e universitária que conscientize a população para, assim, envolvê-la na agenda ambiental do país.

Nivaldo Souza, Agência Ciesp de Notícias