Cobrança pelo uso da água preocupa empresas de São Carlos - CIESP

Cobrança pelo uso da água preocupa empresas de São Carlos

O Fórum Sesi/Ciesp de Sustentabilidade, realizado na quarta-feira (8) na sede da Diretoria Regional de São Carlos, colocou os industriais em alerta. A cobrança pelo uso da água pode vigorar já a partir de 2011 nos municípios da bacia do Tietê-Jacaré, com um decreto do governador eleito Geraldo Alckmin. “A conta vem aí, e não é pequena”, adianta Ubiraci Pires Correa, diretor titular do Ciesp são-carlense. Até o presente, a medida já vale para as bacias do Paraíba do Sul e a do Piracicaba.

O tema é tão preocupante que um grupo de empresas preferiu reunir-se um dia antes do evento para esclarecer dúvidas com o diretor de Meio Ambiente, Eduardo San Martin, que falou aos empresários por mais de uma hora. No fórum, o diretor voltou a tratar do tema na mesa-redonda que discutiu Conservação e Reúso da Água na Indústria

“A água é um insumo cada vez mais caro e escasso. Além disso, as empresas têm custo crescente no tratamento de seus efluentes industriais para que atendam aos parâmetros de qualidade exigidos pelos órgãos ambientais”, analisa San Martin. “A cobrança é uma fonte de recurso importante que deve ser empregado na defesa e preservação da própria bacia. Mas é preciso que a sociedade fiscalize a destinação dessas verbas, acompanhando as discussões no Comitê de Bacias”, adverte o diretor do Ciesp.

Electrolux e Papeis São Carlos
Diante da iminente cobrança, reduzir a captação, a partir do reúso da água nos processos industriais, tem sido uma das saídas adotadas pelas empresas, como mostraram Electrolux e a São Carlos — Papeis e Embalagens, que trabalha com matéria-prima 100% reciclada.

Com 2.700 funcionários e produção de 180 mil produtos/mês (lavadoras, frízeres e refrigeradores de ar), a Electrolux quer reduzir o consumo de água em 15% até 2011. “Uma meta desafiadora”, adianta Carlos Eduardo da Silva, coordenador de Meio Ambiente.

A empresa consome 6.410 metros cúbicos de água, por mês, e possui reservatório com capacidade para 20 mil m³. Nos últimos anos, a empresa vem conseguindo economizar 8 mil m³ ao ano, graças ao monitoramento de torres de resfriamento de máquinas e filtragem da água.

“Hoje, o consumo de água caiu de 0,04 para 0,01m³ por peça produzida”, destaca Silva. “E a eficiência das lavadoras também evoluiu: a capacidade atual é de 12 litros por quilo de roupa lavada, bem superior à de 15 anos atrás, que gastava 22,8 litros por quilo de roupa lavada.”

A Indústria São Carlos de Papeis e Embalagens, que consome 100 mil litros de água por tonelada de material reciclado, investiu US$ 1 milhão para reaproveitar a água drenada nos filtros de selagem de bombas. O consumo, que era de 15 m³ por hora, foi reduzido em 70% e hoje está em 5m³/h.

“Esses são ganhos interessantes. Mas a meta é reduzir a zero o descarte de efluente líquido”, afirma Almir Zancul, assessor de Meio Ambiente, destacando ainda que a matéria-prima usada na indústria é 100% reciclada. “Cada tonelada de papel reciclado evita o corte de 20 árvores”, estima Zancul. Além do ganho ambiental, há o ganho social. O uso de papel reciclável gera emprego e renda para 1.500 catadores de papel em várias cidades da região.

Faber-Castell e Opto Eletrônica
A segunda mesa-redonda, coordenada por Luiz Fernando de Araújo Bueno, diretor-adjunto de Responsabilidade Social do Ciesp, mostrou os bons resultados da Faber-Castell, por meio do programa Ecomunidade, mantido por voluntários, e da Opto Eletrônica, por meio do Instituto Brasil Solidário – uma parceria com o Rally dos Sertões, segundo maior evento esportivo do gênero em todo o mundo.

Durante os dez dias do rally, realizado a cada ano, a fabricante de equipamentos aeroespaciais, filmes finos e produtos da área médica e oftalmológica, monta uma estrutura de serviços de saúde e educação que são prestados às comunidades localizadas ao longo do itinerário da prova, que percorre os estados de Goiás, Tocantins e Pará.

“Por meio desse programa, foram prestados mais de 5 mil atendimentos desde 2004, com doação de 4.575 kits escolares, 20 mil livros e 3 mil pares de óculos, incluindo armações”, enumera Márcia Lima, coordenadora de Recursos Humanos na Opto Eletrônica.

Rubens Toledo, Agência Ciesp de Notícias