Ciesp, Fiesp e empresários defendem mudanças na proposta de Reforma Tributária - CIESP

Ciesp, Fiesp e empresários defendem mudanças na proposta de Reforma Tributária

 

Entidades apóiam o projeto, mas afirmam que há pontos negativos para o desenvolvimento econômico do país
 
 
 
Pesos-pesados Encontro reuniu presidentes das principais indústrias brasileiras
O presidente do Centro e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp e Fiesp), Paulo Skaf, afirmou nesta quarta-feira (26), em coletiva de imprensa, que vai brigar junto ao Congresso pela extinção de algumas medidas do projeto de reforma tributária.  

Skaf disse que apóia o projeto criado pelo deputado federal Sandro Mabel (PR-GO), mas ressaltou a existência de incoerências no texto que está prestes a ser votado na Câmara dos Deputados.

 
“Não podemos aceitar, em hipótese nenhuma, uma reforma que aumente ainda mais a carga tributária do país”, argumentou Skaf, após reunião fechada do Conselho Superior Estratégico da entidade, com pesos-pesados da indústria brasileira: Vale, Conteminas, Votorantin, Embraer, CSN e Marcopolo.

Esta é a segunda vez que o Conselho Estratégico se reúne para debater assuntos que envolvem os rumos da economia brasileira. A primeira foi realizada no início de setembro.

Entre as reivindicações do Ciesp/Fiesp e dos empresários estão:

 
Eliminar o alongamento do prazo de transição para implantação das normas legislativas do ICMS de oito anos para 12 anos;
 
Proibir a criação de novos impostos por Medida Provisória;
 
Acabar com a manutenção dos benefícios portuários, pois tal medida facilita a importação desleal de mercadorias fabricadas no exterior;
 
Retirar da proposta o tributo de 3% sobre o lucro bruto das empresas do setor de mineração. Antes, o imposto era de 2% em cima do lucro líquido.

“No momento em que o mundo está reduzindo seus tributos e buscando competitividade, temos um projeto de reforma que deixa uma série de dúvidas sobre o aumento da carga tributária”, completou Skaf.

De acordo com a Fiesp, a carga tributária do Brasil deveria se equiparar à inflação e, caso ocorra um aumento superior aos índices de preços, deveria ocorrer redução equivalente às alíquotas dos tributos.

Crédito

Perguntado sobre o custo do crédito no País, Skaf respondeu que a situação é ainda grave. “A estes juros praticados por bancos oficiais, cito por exemplo o capital de giro cobrado pelo Banco do Brasil (BB), é melhor nem tomar o crédito”, avaliou.

Recentemente, a Fiesp divulgou um estudo com base nos dados do Banco Central do Brasil, que mostra que a taxa cobrada pelo BB é a maior do mercado: cerca de 50% ao ano.

Skaf também ressaltou a assimetria existente nas taxas executadas pelos bancos privados nos Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACCs). “Não entendo a razão de um banco cobrar uma taxa de 6% enquanto outros trabalham com taxas superiores a 18%”, questionou.

Fábio Rocha
Agência Indusnet Fiesp

Fotos: Kênia Hernandes
26/11/2008