Ciesp e Sesi debatem reuso da água de chuva e gestão social - CIESP

Ciesp e Sesi debatem reuso da água de chuva e gestão social

A sexta edição do Fórum Sesi/Ciesp – Sustentabilidade, realizada na quinta-feira (27), no auditório da empresa Totvs em São Paulo, reuniu cerca de 100 participantes e representantes de empresas. O evento teve a parceria da Distrital Norte do Ciesp e comemorou o Dia da Indústria e o Cinquentenário do Sesi/Catumbi, primeira unidade da rede instalada na cidade de São Paulo. O encontro debateu programas de conservação e reuso de água na indústria e a gestão da responsabilidade social nas empresas. O objetivo dos organizadores é realizar uma edição do Fórum em cada uma das diretorias do Ciesp. Para 2010 estão previstas 12 edições.









Seravalli: sustentabilidade deve ser ação estratégica para os negócios


“A iniciativa do Ciesp e do Sesi tem um foco abrangente, o de querer provocar a discussão de temas que cada vez mais afetam a sustentabilidade”, observou o diretor de Responsabilidade Social do Ciesp, Vitor Seravalli, na abertura do Fórum. Segundo ele, o caminho a percorrer é longo, uma vez que “o perfil do empresário ainda é o do assistencialismo”, e há pouca consciência a respeito da sustentabilidade como ação estratégica para os negócios.

O termo “consciente” no campo da produção também foi comentado pelo diretor de Meio Ambiente do Ciesp, Eduardo San Martin. Mais uma vez, ele colocou a preocupação da entidade com o uso racional dos recursos hídricos na produção. A cobrança pelo uso já está em vigor em algumas regiões do Estado, em breve deverá ocorrer na Bacia do Tietê. San Martin lembrou que o empresário tem pouco tempo para rever seus conceitos em relação à forma de utilização do recurso hídrico.

“Coisas novas estão acontecendo, e estão ligadas à forma com que utilizamos a água na produção. Uma delas é o início da cobrança pela captação, consumo e devolução.”

Captação da água da chuva
A primeira mesa-redonda do Fórum, coordenada por San Martin, debateu aspectos dos programas de conservação e reuso da água na indústria. Na primeira apresentação, os pesquisadores da Escola Politécnica da USP, Luana Rodrigues e Maurício Cabral, mostraram o programa de aproveitamento de águas pluviais como alternativa ao abastecimento para fim não-potável.

Na opinião dos pesquisadores, a técnica é bastante utilizada em épocas de chuva e resulta em benefícios como a redução de custos e a conservação da demanda potável. A fonte alternativa, segundo eles, pode ser utilizada na irrigação de parques, gramados residenciais, cinturões verdes, campos de cultivo e viveiros de planas ornamentais.

No âmbito industrial, também pode ser empregada para geração de energia, alimentação de caldeiras e de sistemas de refrigeração. Recarga de aquíferos, descarga de vasos sanitários e lavagem de ruas são outras aplicações que não exigem o uso de água potável (veja palestra no final desta matéria).

Recuperação e reúso
Na segunda apresentação, o consultor galvanotécnico, Pedro de Araújo, apresentou o case premiado da empresa Termogal Tratamento de Superfícies, que implantou tecnologias de produção mais limpa na planta galvânica, que resultassem em economia do uso de água; redução do desperdício de matéria-prima; redução da massa de lodo galvânico; reuso de água após sua saída do filtro prensa com percolação do filtrado em coluna de troca iônica para total descontaminação e posterior reuso contínuo em circuito fechado; fechamento de todos os circuitos de água industrial, inclusive a saída de efluentes para a rede pública e; captação e utilização da água de chuva na planta galvânica.

O projeto proporcionou menor custo direto da produção, melhor qualidade do processo, maior competitividade da empresa no mercado, aumento da lucratividade, preservação de recursos naturais e menor uso de combustíveis naturais. “Alcançamos, ainda, benefícios sociais no médio e longo prazo e a empresa passou a contribuir para a melhoria da qualidade de vida das populações carentes”, acrescentou Araújo.

Sustentabilidade e inclusão
Na segunda mesa-redonda, mediada por Vitor Seravalli, as empresas Basf e Totvs, anfitriã da sexta edição do Fórum, expuseram seus cases de sucesso em gestão da responsabilidade social nas empresas. Na primeira apresentação, a coordenadora de responsabilidade social corporativa da Totvs, Kelly Lopes, mostrou o programa da companhia destinado à formação e capacitação de jovens de baixa renda, provenientes de escolas da rede pública. Braço social da empresa, o Instituto da Oportunidade Social (IOS) prepara os jovens para o mercado de trabalho e oferece a chance de terem seu futuro transformado. O IOS formou 500 alunos em 2009. Para este ano, o objetivo é diplomar 650 pessoas. “O nível de empregabilidade é de 35%, a maioria é indicada para trabalhar em empresas clientes”, afirmou Kelly.

A Totvs é uma empresa de software, inovação, relacionamento e suporte à gestão.

Profissionalização
Na segunda apresentação, a gerente de responsabilidade social corporativa da Basf, Ana Suzuki, falou sobre as ações de responsabilidade social corporativa e sustentabilidade da empresa. Entre os programas premiados estão o Projeto Pet, que consiste na produção de esmaltes e vernizes utilizando como matéria-prima garrafas PET reciclável, e o Projeto Crescer, que amplia as oportunidades de inserção no mercado de trabalho de jovens com famílias de baixa renda, proporcionando-lhes profissionalização e educação.

O segredo do sucesso da empresa é, também, o compromisso das pessoas dentro do grupo. “Para ser sustentável, é preciso apoiar esse movimento. Também é importante que a liderança dentro da companhia garanta a capilarização do conceito de sustentabilidade em todos os níveis da organização, bem como a continuidade da prática da responsabilidade social”, disse a executiva.

Parceiro na realização do VI Fórum Sesi/Ciesp – Sustentabilidade, o diretor-titular do Ciesp Norte, Mario Siqueira dos Santos, afirmou que os temas tratados no evento precisam estar nas agendas das empresas. Para ele, as exigências para se produzir são cada vez mais presentes. “Temos população e demanda crescentes. Isso implica produzir bem e reduzir impactos no meio ambiente”, afirmou o diretor da Distrital. A diretora do Sesi Catumbi, Maria Inês Pineda, também participou do evento.

Veja as palestras em PDF:
Aproveitamento de águas pluviais
Case TermoGal
Case Instituto da Oportunidade Social (IOS) – Totvs

Odair Souza, Agência Ciesp de Notícias