Chile quer ampliar parque industrial com apoio do Brasil - CIESP

Chile quer ampliar parque industrial com apoio do Brasil

Empresários chilenos afirmaram nesta terça-feira (3) a brasileiros que 48 acordos bilaterais lhes asseguram fatias de mercados importantes do comércio global, como Coreia do Sul, Estados Unidos, Índia, Japão e União Europeia. Contudo, sinalizaram que o Chile carece de pátio industrial variado para usufruir melhor dos tratados.

“Temos um grande mercado para exportação [de móveis, calçados, tecidos, entre outros], mas nos faltam produtos”, alertou o gerente de comércio exterior da Sociedade de Fomento Fabril (Sofofa), Hugo Baierlein Hermida, durante seminário de divulgação da Missão Empresarial Brasil-Chile: Plataforma para Integração, realizado no edifício do Centro e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp e Fiesp).

Para o diretor de comércio exterior do Ciesp, Ricardo Martins, a delegação brasileira que vai ao Chile em abril tem a oportunidade de estudar o país a fim de conhecer o funcionamento dos tratados comerciais do vizinho andino. “A missão empresarial será importante para gerar oportunidades para usarmos a plataforma de livre comércio do Chile”, analisou.

Martins sugeriu a realização seminários temáticos para que brasileiros e chilenos identifiquem áreas que podem ser exploradas com melhores possibilidades de ganhos para ambos os lados. O diretor indicou os setores de defesa nacional, energia renovável e investimento de capital como prioritários.


Parceria estratégica
Com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 183 bilhões no ano passado, beneficiado pelos acordos bilaterais, o Chile aumentou em mais de três vezes sua corrente de comércio entre 2000 e 2008. Saltou de US$ 35 bilhões para mais de US$ 116 bilhões, dos quais US$ 70 bilhões resultaram de exportações. O setor industrial respondeu por 32% das vendas externas, enquanto a mineração por 61%.

No intuito de manter o ritmo e ampliar o leque de manufaturas, empresários e governo chilenos querem atrair empresas de outros países ao seu pátio industrial.

Beneficiar-se dos acordos exige que empresas estabeleçam base de produção no Chile ou se associem às companhias chilenas para fornecer insumos. A condição está determinada nos tratados, que definem que para ter menos incidência de taxas de importação ou isenção total os produtos devem ter o território chileno como origem.

A regra faz Brasil e Chile acenarem à possibilidade de criar um canal de negócios sustentado pela interação entre seus setores produtivos.


Mercado prioritário
Essas e outras características colocam o Chile sob o status de “mercado prioritário” para o Governo Federal, segundo o gerente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Sérgio Costa. O órgão de fomento de negócios do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) desenvolveu estudo sobre áreas mais atraentes do país para subsidiar ações de internacionalização de empresas brasileiras.

Em 2007, os investimentos brasileiros no Chile somaram US$ 689 milhões, contra US$ 716 do vizinho andino. Já a balança comercial de 2008 computou quase US$ 9 bilhões, sendo o saldo positivo para o Brasil, com US$ 4,7 bilhões, enquanto os chilenos negociaram US$ 4 bilhões.

Segundo o diretor de operações comerciais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), Luis Fernando Antônio, a aproximação dos países pode colocar produtos brasileiros em prateleiras de mercados poucos acessados atualmente, como o mexicano, ou ampliar a introdução em países onde já há bom fluxo comercial, como a China.

“Se pensarmos em ter o Chile como plataforma para exportação, para diversificarmos mercados e produtos, ele será um excelente parceiro para podermos ampliar a participação em mercados que já temos e em outros que não [participamos]”, sinalizou o diretor da Secex.

O encontro realizado em São Paulo foi promovido pelo MDIC, o Ministério de Relações Exteriores (MRE), com apoio da Apex-Brasil, Ciesp e Fiesp.

Entre os presentes estiveram Álvaro Díaz, embaixador chileno; John Norman Díaz Antillanca, representante do Ministério de Obras Públicas do Chile; Liliana Marta Macchiavello Martini, vice-presidente executiva do Comitê de Investimentos Estrangeiros (Cinver).

Nivaldo Souza, Agência Ciesp de Notícias