Cervone diz que comércio bilateral pode voltar ao ritmo pré-crise - CIESP

Cervone diz que comércio bilateral pode voltar ao ritmo pré-crise

O presidente em exercício do Ciesp, Rafael Cervone, elogiou hoje os esforços de autoridades e empresários brasileiros e italianos na ampliação do intercâmbio comercial e do fluxo recíproco de investimentos entre os dois países.

Em encontro empresarial realizado nesta terça-feira (29) na Fiesp/Ciesp, ele compartilhou do otimismo manifestado pelos ministros Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, e Adolfo Urso, do Desenvolvimento Econômico da Itália, em decorrência da série de acordos recém-assinados entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, e ministérios das duas nações.

Cervone lembrou que desde meados desta década, Brasil e Itália reverteram a queda no intercâmbio comercial que até então se verificava. “No período de 2004 a 2008, nossas trocas cresceram na média de 17,3%”, sublinhou. Em 2008, as importações e exportações bilaterais alcançaram US$ 9,4 bilhões.

Na opinião do dirigente, os laços entre os dois países são sólidos e contam com expressivo aporte histórico e cultural, que incentivam a ampliação e a diversidade das relações políticas e econômicas. “O Brasil é o lar de mais de 25 milhões de italianos. Eles fazem parte da construção do nosso país. São Paulo, por exemplo, é a terceira cidade com mais italianos no mundo”, reforçou Cervone.

Grupo de empreendedores
Durante o encontro empresarial que antecedeu a chegada do presidente Lula e do primeiro ministro Silvio Berlusconi à Fiesp/Ciesp, os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) do Brasil, Miguel Jorge, e do Desenvolvimento Econômico da Itália, Adolfo Urso, decidiram formar um grupo de empreendedores dos dois países para acompanhar e incentivar os investimentos mútuos.

De acordo com Miguel Jorge, o grupo servirá, principalmente, “para destravar algumas dificuldades que ainda existem entre os nossos acordos. E incentivá-los neste momento é de extrema relevância para ambos”.

Como revelou, a Itália já é o principal parceiro brasileiro no ciclo de desenvolvimento sustentável global. “Este ano o Banco Central prevê que o investimento de empresas nacionais no exterior chegue a US$ 15 bilhões, e boa parte destes recursos serão revertidos à Itália”, garantiu o ministro brasileiro.

Segundo ele, a afinidade entre os países tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. O resultado mais evidente foi a assinatura, pelo presidente Lula e o primeiro-ministro Berlusconi, de um plano de ação para fortalecer a parceria estratégica entre Brasil e Itália, em abril deste ano, na capital dos EUA.

Além disso, existem inúmeros outros acordos traçados entre o Ministério de Desenvolvimento Econômico italiano e instituições brasileiras, como o próprio MDIC e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Firmamos uma parceria, em 2008, entre o BNDES e a Agência de Crédito à Exportação Italiana (Sace, na sigla em italiano), em que mais de US$ 1,2 bilhão é disponibilizado para que as empresas italianas concretizem investimentos produtivos aqui”.

Parceria internacional
Atualmente, no Brasil, há cerca de 500 empresas italianas, que empregam mais de 100 mil brasileiros. Além disso, em relação às trocas comerciais, o Brasil só fica atrás dos Estados Unidos e da Romênia – um importante terceiro lugar na economia global.

De acordo com o ministro da Itália, Adolfo Urso, a relevância do contexto é ideal para que União Europeia (UE) e Mercosul avancem num acordo de livre comércio. “A negociação que estava parada há anos, enfim, começa a reagir novamente. Precisamos aproveitar o momento para criar laços mais fortes de comércio”.

Urso disse estar otimista com a próxima reunião de cúpula do Mercosul, no final de julho, em Buenos Aires, quando os países do bloco do Cone Sul irão desenhar o formato do acordo de livre comércio, ponderando as necessidades de Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina e as exigências dos países da UE.

Para julho deste ano, o governo brasileiro espera um salto nas negociações entre os grupos econômicos, pois esta é a data em que o Brasil assumirá a presidência pro-tempore do Mercosul. “E neste momento precisaremos muito da ajuda dos nossos colegas italianos, pois alguns países ainda se mostram resistentes à consolidação de acordos”, ressaltou o ministro Miguel Jorge.

Fábio Rocha e Thiago Eid, Agência Indusnet Fiesp