Brasil quer incentivar uso de etanol no Chile - CIESP

Brasil quer incentivar uso de etanol no Chile

Brasil e Chile podem estabelecer, juntos, um mercado mundial de combustíveis renováveis, mais limpos e baratos que os derivados do petróleo, e que gere mais emprego e renda para o trabalhador do campo. A proposta foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à chefe de Estado chilena, Michelle Bachelet, que se encontraram nesta quinta (30) na Fiesp.


“Precisamos definir uma data para levar ao Chile uma missão brasileira na área de biocombustíveis. É de extrema importância alcançar uma matriz tecnológica comum, e nós precisamos trabalhar isso”, disse Lula.


O governo brasileiro cobra uma decisão sobre o aumento da adição de etanol à gasolina vendida no Chile, proposta no acordo de cooperação energética assinado pelos países em 2007 – para pesquisa, desenvolvimento e produção de biocombustíveis –, que não avançou.


A presidente chilena não respondeu diretamente à cobrança, mas sinalizou que o governo está “pronto para colaborar com os investimentos de petróleo”. Acredita-se que a presença da Petrobras em território chileno – com a aquisição da rede de distribuidores da petrolífera americana ExxonMobil no país vizinho, anunciada em agosto do ano passado – vá facilitar as negociações para adição de maior percentual de etanol à gasolina, que hoje está aprovado em 5%, mas ainda não foi implementado.


Integração energética
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, também cobrou a efetiva incorporação do etanol brasileiro no combustível chileno, e que o país vizinho começasse a pensar na utilização de veículos “flex fuel”, os bicombustíveis.

“Adicionando apenas 5%, sem que seja necessária qualquer alteração nos motores dos veículos, já seria considerável ajuda no esforço governamental de diminuir a poluição do ar nas grandes cidades chilenas, em especial Santiago”, disse. “Mas esse percentual pode crescer até os 25% praticados no Brasil, de forma progressiva, desde que se façam pequenos investimentos na adaptação dos motores”, sugeriu Skaf.


Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de comércio exterior da Fiesp, insistiu na integração energética dos dois países no quesito combustíveis e alegou que o Chile não pode ficar preso ao risco da volatilidade de preços do petróleo. Segundo ele, a experiência brasileira com o etanol pode ser conhecida e repetida com sucesso no vizinho sul-americano, basta o tema entrar na agenda dos empresários e políticos chilenos.


“O Brasil tem o know-how tecnológico para ajudar o país a desenvolver etanol de segunda geração, extraído de celulose, madeira e algas marinhas. Nesse momento, o Chile poderá se tornar um exportador do produto”, indicou.


Segundo o dirigente, já existem discussões no governo do país andino para aumentar a parcela de etanol na gasolina para 10%. A rede de aproximadamente 230 postos de combustível que a Petrobras adquiriu no país no ano passado pode ajudar o Brasil a “estabelecer uma política a respeito do combustível”, avaliou Giannetti.


Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias