BNDES amplia atuação para incentivar competitividade de MPEs - CIESP

BNDES amplia atuação para incentivar competitividade de MPEs

 
Banco estatal assume papel de sócio-investidor para acirrar ‘espírito animal’ de empreendedores
 
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está diversificando sua atuação para incentivar a competitividade das micro, pequenas e médias empresas (MPEs) do país. “O BNDES tem um papel importante na atração de capital. A meta é agregar valor à cadeia produtiva, com regras definidas para investimentos. O capital privado não assume o risco inicial de investir [no pequeno e médio negócio]. Nossa intenção é minimizar o risco para atraí-lo. Cada R$ 2 bilhões investidos pelo BNDES atrai R$ 6 bilhões da iniciativa privada”, declarou superintendente do banco estatal, Paulo Mattos, em palestra realizada hoje no seminário Competitividade da Indústria, Inovação e Concorrência, evento organizado pelo Grupo de Estudos de Direito Concorrencial da Fiesp.
 
Segundo o executivo, o BNDES está ampliando seu papel, antes restrito a “balcão de empréstimos”, ao participar diretamente como sócio-investidor em MPEs de setores variados, visando incentivar a inovação e dinamizar o mercado nacional.
 
Foco: mercado 
A parceria acionária é realizada pela BNDES Participações S.A., a BNDESPAR, divisão criada em 1982 que, nos últimos anos, vem ampliando sua participação em fundo de investimentos. Hoje, ela integra 40 fundos, cujo objetivo é a capitalização de empresas nacionais mediante associação societária minoritária por tempo determinado. Assim, o banco oferece apoio financeiro para capital de risco, estimula o fortalecimento e a modernização do mercado de valores mobiliários. Direcionada às micro, pequenas e médias empresas, a BNDESPAR estabelece regras para entrar e sair do quadro acionário, assume até 25% das ações e estimula metas de desenvolvimento. “O BNDES faz uma escolha igual a do mercado [observando o potencial do sócio], com a diferença de que ele tem fôlego para assumir risco e consegue atrair capital privado”, disse Mattos.
 
A seleção dos sócios é feita após avaliação dos “ativos intangíveis”: liderança, organização, registro de marcas e patentes, investimentos em P&D, incentivo à formação profissional, capital humano, etc. “O BNDES escolheu para sua atuação em renda variável projetos inovadores que indicam crescimento no longo prazo. Quando o banco seleciona uma empresa, ele foca o desenvolvimento do mercado. É uma política industrial para setores diferenciados. Isso, na nossa visão, acirra o ‘espírito animal’ do empreendedor”, afirmou.
 
Em 2007, o órgão federal criou o Criatec, um fundo que pode aplicar até R$ 1,5 milhão em cada micro e pequena empresa que se associar. Ele já conta com R$ 80 milhões em recursos e deve existir até 2017. “A idéia é semear empresas e desenvolvimento regional, para que depois elas possam participar de outros programas do BNDES”, garantiu Paulo Mattos.
 
Agência Ciesp de Notícias
Nivaldo Souza
29/02/2008