Atividade industrial tem crescimento leve de 0,3% em julho - CIESP

Atividade industrial tem crescimento leve de 0,3% em julho

 

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

 

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista registrou crescimento leve de 0,3% em julho sobre junho, na série com ajuste sazonal. Sem o ajuste, o índice foi de 0,6% na comparação com o mês anterior.

Apesar do aumento, o resultado não compensa a queda observada em junho, como também não alterna o quadro de letargia que a atividade industrial paulista vem apresentando desde março de 2011.

Segundo o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) do Ciesp/Fiesp, Paulo Francini, o relatório apresenta “mais do mesmo”. “Isso porque o que se ganha em um mês, perde-se no outro e fica tudo praticamente no zero”, explica. “O resultado de 0,6% é medíocre. É o pior valor de julho dos últimos tempos. Apenas em 2006 é possível encontrar um paralelo.”

No acumulado de 12 meses, o nível de atividade da indústria foi de 3,5%. De janeiro a julho de 2011 o índice acumula variação positiva de 2,5% em relação ao mesmo período de 2010.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) registrou aumento de 0,5% se comparado ao mês anterior, saltando de 83 para 83,1, com ajuste sazonal.

Já as Vendas Reais e as Horas Trabalhadas na Produção apresentaram queda de 0,3%, na mesma base de comparação.

Dos setores avaliados pela pesquisa, destacam-se ganhos em:

– Fabricação de artigos de borracha e plástico, com avanço de 1,6% sobre junho, em termos ajustados;

– Máquinas, Aparelhos e Materiais elétricos, com aumento de 0,6% na comparação de julho contra junho.

Entretanto, Francini destaque que a situação do setor de Máquinas é de alerta. “O índice não está ruim, mas se olharmos atentamente, veremos que o andar do setor é de estável, para baixo”, analisa.

O setor de Celulose, Papel e Produtos de papel apresentou variação negativa de 0,6% na leitura mensal. “(Este) setor está em queda anunciada”, adverte o diretor do Depecon. “Seu desempenho encontra-se abaixo do INA.”

Confiança em queda

Outro índice em queda é a confiança dos empresários paulistas em relação ao cenário econômico no mês de agosto. Dados da pesquisa Sensor Fiesp apontam queda de aproximadamente quatro pontos em relação ao mesmo período de julho. Este mês o indicador fechou em 47,3 contra 51 do mês anterior. O valor mais baixo, desde dezembro de 2010.

“O Sensor está dizendo que vem tempo ruim à frente”, avisa Francini. Uma vez que o mês de agosto coincide com um dos picos anuais da atividade industrial, é comum ter neste mês uma excitação maior em relação ao cenário econômico nacional. “Portanto, ao pegar essa percepção negativa eu diria que o sinal de alerta está no amarelo.”

Os itens vendas e mercado também recuaram, para 45,2 (versus 52,1 em junho) e 48,6 (versus 51,7 em junho), respectivamente. O estoque apontou 42,5 pontos versus 49,7 no mês anterior, sugerindo uma acomodação da produção.

Indústria de Transformação

O diretor do Depecon também alertou para a situação da Indústria de Transformação no país. Para ele as pessoas, às vezes, têm uma dificuldade natural em reconhecer que existem adversidades no setor enquanto a economia apresenta sinais positivos, principalmente em relação ao número de empregos e crescimento de renda.

“Na verdade, só se entende essa dicotomia ao perceber que existe um fator externo, agressor, que tira da indústria de transformação doméstica o benefício de usufruir da boa condição econômica que os cidadãos sentem com o aumento de emprego e renda”, afirma referindo-se às importações. “Enxergamos que esse tipo de comportamento não é benéfico para o país, uma vez que faz perder a vitalidade do setor que é, exatamente, o maior gerador de riquezas e empregos qualificados: a indústria de transformação.”

Francini também alerta que a estimativa de geração de empregos para o segundo semestre deste ano não é otimista. “Ela tende a bater em zero, e não seria uma grande surpresa se ingressasse no campo negativo, ou seja, de redução no número de empregos na indústria de transformação”, conclui.