Atividade industrial em SP recua 2,4% em maio - CIESP

Atividade industrial em SP recua 2,4% em maio


Estimulado pelos preços internacionais e pelo aumento de oferta, setor de papel e celulose já cresceu 12% no ano
O crescimento da atividade industrial paulista mostrou desaceleração em maio, com variação negativa de 2,4% em termos ajustados, de acordo com o Indicador de Nível de Atividade (INA) divulgado hoje pelo Ciesp e pela Fiesp. No dado sem ajuste sazonal, houve alta de 2,1% – a menor taxa desde 2002, quando o indicador subiu apenas 0,6%. “A trajetória de crescimento deve iniciar uma queda suave. Deveremos assistir a uma acomodação da atividade, mas isso ainda não assusta”, afirmou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades.
 
A forma de cálculo do INA incorporou uma novidade: o dessazonalizador do índice, a partir de maio, passou a considerar a relação entre a quantidade de dias úteis do mês e a média histórica, criando um indicador livre de flutuações quanto ao período efetivo de produção. “O número de dias úteis em maio foi muito ruim, e se não fosse o fator de correção o resultado seria bem mais negativo”, explicou Francini. No acumulado em 12 meses a expansão é de 7,5%, e de janeiro a maio, houve alta de 8,3%.
 
Segundo o diretor, não há nada de importante afetando com força a atividade industrial, que deve fechar o ano em 5,5%. No entanto, Francini admite haver inquietações em relação a períodos um pouco mais distantes, em que a intervenção do Banco Central na taxa de juros deve provocar efeitos colaterais. “Os custos serão sentidos pelo setor produtivo em médio e longo prazos. Prevemos períodos de dificuldade, pois sabemos que 2009 vai abrir com outras condições presentes”, projetou.
 
O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) ficou em 83,1% em maio, o que representa uma queda de 0,3% em relação ao mês anterior, em termos ajustados. “O Nuci saiu do radar de preocupações, e apresenta certa estabilidade com ligeira tendência de declínio”, disse Francini.
 
Setores
O segmento de Alimentos e Bebidas foi um dos destaques, pela clara tendência de queda que vem apresentando. É o único setor, em relação aos outros que compõem a pesquisa, que tem números negativos na série: -1,3% no acumulado em 12 meses, e retração de 1,9% no ano. A queda no mês foi mais suave, de 0,5% com ajuste. De acordo com Paulo Francini, a pressão inflacionária dos alimentos é a principal responsável pelo desempenho do setor. “Não tem muita mágica. Há um processo vigoroso de aumento de preço no IPC, e ao mesmo tempo um processo de redução de demanda”, apontou.
 
Em Máquinas e Equipamentos, apesar do bom desempenho, nota-se uma acomodação na taxa de crescimento. No ano, o setor acumula expansão de 11,6%, e em 12 meses, a alta é de 14,3%. No entanto, houve queda de 3,5% em maio com ajuste sazonal.
 
Já o segmento de Papel e Celulose destaca-se pelo vigoroso crescimento, estimulado pelos preços internacionais e pelo aumento da capacidade de oferta no país. A elevação em relação a maio de 2007 é de 20,8%, e de 12% no ano. No mês, houve alta de 2,6% na série dessazonalizada. O total de vendas reais no ano para o setor é de 22,7%, taxa que considera preço e volume, a maior parte destinada à exportação.
 
Agência Ciesp de Notícias
Mariana Ribeiro
26/06/2008