Atividade da indústria sobe 1,1% em fevereiro - CIESP

Atividade da indústria sobe 1,1% em fevereiro

O desempenho do Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista em fevereiro frustrou expectativas do Ciesp e da Fiesp, que esperavam uma retomada mais forte de crescimento diante da queda de 20% no último trimestre de 2008. Em termos ajustados, a alta no indicador foi de 1,1%, segundo pesquisa das entidades divulgada nesta quinta-feira (26).

Sem ajuste sazonal, houve aumento de 0,8% na margem, semelhante a outros meses de fevereiro. “Foi um resultado pálido diante da dimensão da queda. Não é ruim, mas tínhamos esperança de alguma retomada, que não aconteceu”, afirmou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp.

Segundo Francini, o primeiro bimestre do ano consolidou o patamar baixo de produção ocorrido em dezembro, mês que contabilizou os piores resultados para a indústria desde o início da crise financeira, em outubro passado.

Em relação a fevereiro de 2008, a queda foi de 15,4%. No acumulado de janeiro e fevereiro a baixa atingiu 15,6%, em comparação ao mesmo período do ano passado. “Este número nos dá a dimensão da crise em que estamos envolvidos”, avaliou o diretor do Depecon.

Produção abatida
Pela primeira vez desde o início de 2004, o acumulado em 12 meses do indicador – comparado aos 12 meses imediatamente anteriores – bateu no zero. O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci), que pontuou 77,6% em fevereiro, na série dessazonalizada, também é o mais baixo desde dezembro de 2003 (77,5%). Sem ajuste, o Nuci ficou em 75,9%.

Entre os componentes do indicador, destaque para o total de vendas reais (6,1%), que puxou o desempenho do INA no mês. Horas trabalhadas na produção indicaram uma “produção abatida”: queda de 11,4% em relação a fevereiro de 2008, e de 8,8% no primeiro bimestre, na mesma base de comparação.

Sensor
O indicador antecedente da Fiesp, apurado na segunda quinzena de março, mostrou que os empresários enxergam queda com menor intensidade na atividade produtiva. O Sensor ficou em 50,4 no período, contra 49 pontos na apuração anterior.

Os componentes mercado e vendas (59 e 56,3, respectivamente) continuam com perspectiva de crescimento, e o estoque ainda é excessivo (41,7%). Emprego (47,9) e investimentos (47) seguem em rota de queda, mas com menor ímpeto em relação aos últimos dois meses.

O período de dezembro a fevereiro, segundo Francini, foi o mais intenso na queda de atividade, que agora tende a se atenuar. “No entanto, não sabemos se os efeitos da crise vêm em ondas, ou se existe só uma onda. Pode ser que exista um nível mais baixo do que estamos agora”, conjecturou Francini.

Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias