Atividade da indústria em SP cai 8,5% no último bimestre do ano - CIESP

Atividade da indústria em SP cai 8,5% no último bimestre do ano

O Indicador do Nível de Atividade (INA) da indústria paulista caiu 8,5% no último bimestre de 2008, em termos ajustados, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (28) pela Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). O índice, no entanto, fechou o ano no azul, com crescimento de 4,8% em relação a 2007.

“O crescimento se manteve em 2008 considerando o conjunto da atividade produtiva, apesar da forte queda que observamos no final do ano”, afirmou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp. No ano passado, as entidades previam alta em torno de 6,5% no indicador.


Desde outubro, quando a indústria paulista começou a sentir os efeitos da crise financeira, o INA iniciou uma rota crescente de queda nos valores percentuais apurados a cada mês. O recuo de 1,7% ajustado em outubro evoluiu para -3,3% em novembro, e computou -5,2% em dezembro.

 

Sem considerar os efeitos sazonais, o resultado dos últimos dois meses do ano também produziu o maior efeito negativo para o período (-26,2%), número que só encontra paralelo na queda ocorrida em 2002 (-23,8%). Houve recuo de 8,9% em novembro, e de 17,3% no último mês do ano. Dezembro também teve desempenho 9,6% abaixo do verificado no mesmo período de 2007.

 

Crise e emprego

Segundo o diretor da Fiesp/Ciesp, a resposta diante de um quadro de crise leva normalmente cerca de quatro meses para produzir efeitos sobre o emprego, levando em conta a expectativa do empresário. “Nesta crise, no entanto, o emprego está respondendo muito rapidamente à queda de atividade”, sublinhou Francini.

 

A percepção dos empresários quanto ao ambiente de negócios é determinante nesse processo. A pesquisa Sensor da segunda quinzena de janeiro, também divulgada nesta quarta-feira, aponta para uma “continuidade de queda” na indústria paulista. A média do indicador antecedente ficou em 38,9 – na primeira quinzena do mês, a média foi de 43,5.

 

Entre as cinco variáveis do Sensor, que ficaram abaixo da neutralidade (50), o componente estoque (31,4) despertou atenção. “O número indica estoque excessivo e, portanto, produção menor que a demanda para absorvê-lo”, avaliou Francini. Emprego e Investimentos também tiveram baixos índices, 37,2 e 37,1, respectivamente.

 

Componentes

Das variáveis que compõem o INA, destaque para o total de horas pagas (-3,5% em novembro e -11,3% em dezembro), e horas trabalhadas na produção (-7% e -15,3%). 

As vendas reais, no entanto, caíram em menor expressão (-9,7% em novembro e -1,3% em dezembro), porque foram “amortecidas” pela desvalorização cambial – cerca de 15% das vendas no último mês do ano foram contabilizadas pelas exportações. “A venda em reais aumenta com o mesmo volume de produção física, ou seja, não significa necessariamente crescimento de atividade”, ponderou o diretor do Depecon.

 

No total da indústria, o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) caiu de 82,1% em novembro para 77,8% no último mês de 2008.

 

Setores

Entre os setores destacados, o índice de Veículos Automotores teve queda expressiva de 19,4% no último bimestre, na variação com ajuste sazonal – bem acima do total da indústria (-8,5%) “É um dos primeiros setores que incorporam os sinais da crise, que chega via crédito”, disse Paulo Francini. Apesar disso, o setor fechou o ano com crescimento de 6,5% em relação a 2007.

 

O segmento de Máquinas e Equipamentos – ligado a investimentos e, portanto, à confiança do empresário – também encerrou o ano no azul, com alta de 5,4%, apesar das quedas de 8,1% em novembro e de 7% no último mês, já impulsionadas pela crise.

 

O oposto ocorreu com o setor de Alimentos e Bebidas, que vem retomando seu crescimento e, apesar de fechar o ano em -4,5%, respirou em dezembro: 6,6% de alta, após ligeira queda de 2,9% no mês anterior. “O setor alimentício sofreu um alívio de preço no mercado doméstico, em função da queda nos preços das commodities, o que volta a dar força à demanda. Além disso, a renda do trabalhador ainda não foi afetada, apesar da perda de empregos”, considerou Francini.

Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias