Atividade cai 0,6% em maio pelo terceiro mês seguido e Fiesp/Ciesp revisa projeção do PIB - CIESP

Atividade cai 0,6% em maio pelo terceiro mês seguido e Fiesp/Ciesp revisa projeção do PIB

Agência Ciesp de Notícias

A atividade da indústria paulista, medida pelo indicador INA da Fiesp e do Ciesp, desacelerou 0,6% em maio sobre abril, na série com ajuste sazonal. A produção industrial deve encerrar o ano com baixo desempenho em meio a incertezas econômicas no cenário internacional.

“A indústria de transformação não vai bem, e ainda não chegou a esperada recuperação”, afirmou Paulo Francini, diretor do Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas (Depecon) da Fiesp/Ciesp.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revisou para baixo seu prognóstico para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, para 1,8% no final deste ano frente à expectativa anterior de 2,6%. Já o PIB da Indústria de transformação deve fechar o ano com 0,8% negativo.

O previsão atual da Fiesp/Ciesp para o INA (Índice Nacional de Atividade) é que o indicador encerre o ano com queda de 2,1%, em relação ao desempenho de 2011, quando apresentou crescimento de 0,6%.

A entidade ainda estima que o processo de recuperação da atividade deve começar de forma lenta e gradual no segundo semestre, período no qual o conjunto de medidas de estimulo a produção pode começar a surtir efeito.

“Não acreditamos que exista uma medida milagrosa. Tem de ser a soma de várias na direção correta. A redução da taxa Selic, a redução do spread bancário e a variação da taxa de câmbio são positivas”, afirmou Francini. “A última é o PAC Equipamentos. Isso dá resultado, mas não é imediato. Na dinâmica do processo econômico, em particular da indústria, leva tempo para reconhecer e ter confiança. Compartilhamos a visão de que o segundo semestre será melhor”, explicou o diretor.

Anunciado na véspera, o PAC Equipamentos prevê que o governo fará compras no valor de R$ 8,4 bilhões, dando preferência para empresas nacionais.

A Pesquisa

Na leitura sem o ajuste o INA subiu 7,4% em comparação com o mês anterior. No entanto, em relação a maio de 2011, o levantamento do mês apontou uma queda de 5,9%.

No acumulado de 12 meses, o nível de atividade da indústria sem ajuste sazonal foi negativo em 3,1%. De janeiro a maio de 2012 o indicador também acumula variação negativa de 6,3% em relação ao mesmo período de 2011, descontando o ajuste à sazonalidade.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) apresentou ligeira alta de um ponto percentual, passou de 80,6% em abril para 81,6 em maio deste ano. Já na leitura com ajuste sazonal, o componente apresentou pequena queda, 80,4% no mês passado contra 81% em abril deste ano.

De acordo com o levantamento, a variação negativa de 6,3% no acumulado do ano é a pior da série iniciada em 2003, a queda só foi superada pela de 2009, quando o índice teve o seu pior desempenho com uma excepcional baixa de 12,9% entre janeiro e maio.

Dos setores avaliados pela pesquisa em maio, destacam-se os ganhos nos segmentos de Máquinas e Equipamentos, com alta de 1,1% na leitura mensal considerando os efeitos sazonais, e Veículos Automotores com retração de 2,8% sobre abril, em termos ajustados.

Expectativa

O indicador que mede a percepção dos empresários com relação ao cenário econômico em junho, medida pelo Sensor Fiesp, se manteve praticamente estável. O Sensor passou de 46,7 pontos em maio para 48,4 pontos em maio.

Outros itens da pesquisa que apresentaram estabilidade foram: Mercado, com 49 pontos no mês corrente contra 47,4 pontos no mês passado, e Emprego, que apresentou variação de 49 pontos em junho versus 47,2 pontos no mês anterior.

Já o componente de Vendas mostrou queda expressiva neste mês para 43,7 pontos ante 49 pontos em maio.

O Sensor mostra ainda que o Estoque na indústria continua alto: 47 pontos em junho ante 39,5 em maio. “O excessivo estoque é sempre um otimismo de demanda que não se concretiza”, explica Francini.

O item de Investimento também registrou aumento, 53,1 pontos em junho contra 50,5 pontos no mês anterior.