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ATIVIDADE

Capacidade instalada da indústria não ameaça controle da inflação

 

Em 2007, a indústria de transformação paulista registrou um crescimento de 6%. No primeiro mês de 2008, apesar do recuo de 0,5% sobre dezembro, a atividade industrial apresentou uma queda bem menor do que a de costume para os meses de janeiro (leia matéria), e o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) começa a ser motivo de preocupação para os analistas de mercado. O setor industrial brasileiro é capaz de atender à crescente demanda interna sem que haja pressões inflacionárias na economia?

 
Para responder a esta questão, o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) do Ciesp e da Fiesp elaborou um estudo que analisa a relação entre a capacidade instalada da indústria e a inflação no Brasil. O trabalho constata que não há relação direta entre taxa de inflação e crescimento industrial, já que há períodos em que as séries caminham juntas, mas há outros em que isso não acontece.
 
De acordo com o levantamento, a indústria de transformação possui uma flexibilidade cada vez maior em seu processo produtivo e, por isso, tem condições de adaptação mais rápida para atender a uma demanda crescente, com exceção dos setores de produção contínua, como siderurgia, química e celulose. “Apesar de o nível de utilização da capacidade instalada estar em patamar elevado frente ao padrão histórico, a tendência é de estabilidade ou até de queda suave do indicador”, aponta o estudo.
 
Questão cambial
O intuito do estudo foi verificar o comportamento do Nuci e da inflação em ambientes de valorização e desvalorização do real, e, para isso, foram considerados quatro períodos com comportamentos distintos.
 
A análise sugere que os períodos de expansão da economia, fortalecida por uma moeda apreciada, geram respostas inflacionárias suavizadas, significando que os custos mais elevados não são repassados para os preços finais. No entanto, com o Nuci em expansão e a taxa de câmbio real desvalorizada, o repasse de custos industriais é facilitado em decorrência da maior possibilidade de vendas externas e menor ameaça dos produtos importados no mercado interno. Ou seja, a resposta da taxa de inflação, em virtude de um choque dado no Nuci, é mais acentuada em tempos de moeda desvalorizada.
 
O cenário econômico também favorece a análise positiva das entidades. A pressão nos preços dos alimentos, observada no final de 2007 e início de 2008, apesar de mais forte nos itens agrícolas em função da demanda global, já mostra sinais de arrefecimento. O real continua se valorizando em relação ao dólar e, no âmbito externo, a tendência de desaquecimento da economia mundial pode diminuir ainda mais as possibilidades de exportações, gerando mais competição interna e inibindo o repasse de custos de produção. “Dado o cenário econômico existente, não há motivos para que o Banco Central não retome o procedimento de queda da taxa de juros já na próxima reunião do Copom [dos dias 4 e 5 de março]”, conclui o estudo.
 
Veja o documento na íntegra
 
Agência Ciesp de Notícias
04/03/2008