Agronegócio vai resistir à crise devido à diversidade de importadores, diz Fiesp - CIESP

Agronegócio vai resistir à crise devido à diversidade de importadores, diz Fiesp

A variedade de países que importam produtos agropecuários do Brasil contribui para que os efeitos da crise financeira internacional sejam reduzidos sobre a economia brasileira. A avaliação é do diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca.

“Os efeitos do epicentro do terremoto nos países centrais será menos sentido no Brasil, porque temos um diversificado destino de produtos, incluindo países emergentes, que são zonas menos afetadas pela crise”, afirmou Giannetti, durante a reunião mensal do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da Fiesp, realizada nesta segunda-feira (6).

O diretor destacou o fato de as exportações representarem apenas 17% do Produto Interno Bruto (PIB) como um fator preponderante para que o País supere eventuais impactos da turbulência financeira.

Giannetti não isola o Brasil do cenário internacional, mas argumenta que o País pode superar impactos em menos tempo que outros mercados mais dependentes de exportações para os Estados Unidos e a União Européia.

“Não há blindagem absoluta, mas o Brasil tem um baixo nível de abertura econômica, o que nessa hora diminui a contaminação”, avaliou.

Fundo de liquidez
O Derex indicou ao Banco Central (BC) a criação de um ‘fundo de liquidez’ de US$ 20 bilhões, retirados das reservas cambiais, como mecanismo de financiamento para as exportações brasileiras ante a suspensão de crédito do sistema financeiro internacional. A sugestão foi formalizada em carta enviada por Giannetti ao presidente do BC, Henrique Meirelles.

“Temos mais de US$ 200 bilhões em reserva e podemos criar um fundo de liquidez do comércio exterior para colocar dinheiro nas agências brasileiras lá fora. O governo tinha que ter feito isso ontem. O que não pode é deixar o pânico se espalhar na cabeça do exportador, senão ele pára de exportar”, disse Giannetti.

Hegemonia agrícola
Para o diretor da Fiesp, um dos efeitos da crise será a redução dos subsídios agrícolas em países que auxiliem sua produção alimentos. Com isso, o Brasil pode se destacar ainda mais como fornecedor mundial, tornando-se exportador hegemônico de produtos como carne bovina.

“Podemos usar o momento econômico para uma mudança de paradigma da questão dos subsídios nos EUA e na Europa. É hora de ganharmos marketing chair [fatia de mercado], pensando no investimento no futuro, produzindo mais com menos custo e ganhando o espaço daqueles que não têm capacidade de competir com preço baixo”, indicou Giannetti.

Segmento lácteo
O avanço em direção à dianteira do setor lácteo foi apresentado pelo vice-presidente do Cosag, Ivan Zurita. O país deve saltar dos atuais 5,4 bilhões de litros/ano de leite produzidos para 9,2 bilhões em 2011.

“Em dez anos, o Brasil será o maior produtor de leite do planeta. Os potenciais do mercado interno e da produção indicam esse cenário”, afirmou Zurita, que também é presidente da Nestlé.

O aumento da produtividade não deve prejudicar o nível de qualidade semelhante ao europeu atingindo por 80% dos 1,3 milhão de produtores brasileiros. O País possui atualmente o terceiro maior rebanho leiteiro, com 21 milhões animais, 16% do total. O leite em pó, in natura e as bebidas lácteas ocupam o sétimo lugar no ranking de produtos agropecuários, respondendo por 6% do PIB registrado pelo segmento em 2007.

Para Zurita, entretanto, a consolidação do setor exige melhorias na infra-estrutura logística para garantir a rapidez no transporte. A ampliação de acordos comerciais com outros países para garantir o acesso a mercados, o controle da taxa de câmbio e a atualização da regulação fitossanitária também foram apontadas pelo vice-presidente do Cosag como gargalos a serem superados para que o País assegure-se como maior produtos lácteo mundial.

 

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