África é estratégica para internacionalizar empresas brasileiras, diz Miguel Jorge - CIESP

África é estratégica para internacionalizar empresas brasileiras, diz Miguel Jorge

 

 

Ministro fala á embaixadores sobre intenção do governo de levar capital nacional para o continente
 
Na avaliação do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, a internacionalização de empresas brasileiras planejada pelo governo federal tem no continente africano um parceiro de peso. “A Política de Desenvolvimento Produtivo colocou a integração com a África como um de seus destaques estratégicos”, disse o ministro.
 
Miguel Jorge também afirmou que os brasileiros encontram na região um mercado potencial para exportação de produtos com maior valor agregado e podem, ao mesmo tempo, colaborar para o desenvolvimento dos países. “O Brasil, por meio de suas instituições, poderá transferir sua experiência e ajudar a construir [na África] um mercado ainda mais atraente para os investidores internacionais”, afirmou.
 
O ministro participou do África: Fórum de Negócios e Investimentos na manhã desta segunda-feira. O encontro foi organizado pela Fiesp, com apoio do Ciesp, e reuniu diplomatas de 25 nações africanas e representantes dos setores público e privado do Brasil em debate sobre a aproximação bilateral.
 
A troca comercial entre os parceiros registrou aumento de 11,5% no primeiro semestre de 2008 para o lado de cá da balança em relação a igual do ano passado, somando US$ 5,3 bilhões. Já as vendas da África para o Brasil foram de US$ 9,66 bilhões, 61,2% maior.
 
Brasil na África
Responsável por patrocinar o vôo internacional de empresas brasileiras no mercado global, o BNDES criou novas linhas de crédito que ampliaram sua área de atuação, antes restrita ao papel de maior financiador das exportações nacionais. Somente em Angola, o banco investe US$ 1,4 bilhão em 34 projetos de infra-estrutura.
 
O apoio às micro e pequenas empresas será atribuição da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, que planeja instalar unidades de fomento no continente africano.
 
À Embrapa caberá subsidiar tecnicamente projetos de pesquisa de agronegócio. No início deste ano, a entidade inaugurou escritório em Accra, Gana.
 
Etanol
Para o diretor titular de Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, a expansão do etanol pela África pode contribuir para que o biocombustível se torne uma commoditie de destaque. “A África ainda é um vazio na produção de etanol. Mas se mais países produzirem, ele será uma commoditie importante”, afirmou.
 
O diretor do Derex estima que o biocombustível a base de cana-de-açúcar possa atenuar a dependência e prolongar o uso do petróleo. “O petróleo é finito e se torna cada dia mais nobre, mais caro. Não há como o etanol, em poucos anos, substituir a gasolina. Mas a partir da invenção do motor flex fuel no Brasil podemos conviver pacificamente com o petróleo, alongando seu ciclo no mundo”, disse.
 
Giannetti convidou os embaixadores africanos a incentivarem a produção de etanol em seus países. Proposta bem recebida pelo representante da República do Zâmbia, chanceler Albert Muchanga. “Aceitamos esse desafio. Há espaço para que a troca comercial seja ampliada”, afirmou.
 
‘Agricultura tropical’
Levar para a África a tecnologia agrícola que permitiu ao Brasil se tornar um dos maiores produtores de soja é objetivo da Embrapa, através de parcerias estratégias de interação internacional nos níveis público e privado.
 
Para o diretor-presidente da entidade, Silvio Crestana, a transferência é uma maneira adequada de romper a dominância científica dos países desenvolvidos. “Temos que fazer com que o conhecimento flua e beneficie a todos os países”, sinalizou.
 
A Embrapa já assinou onze acordos de cooperação na África. Outros oitos estão em estudo. O mais expressivo está em Gana, onde o Brasil assessora o plantio de 30 mil hectares de cana-de-açúcar para produção de etanol – um projeto de US$ 300 milhões.
 
A produção de alimentos foi apontada como negócio promissor pelo Consórcio Africano de Agronegócio. Estudo recente mostra que o continente é o único que, beneficiado pela divisão da linha do Equador, pode cultivar diversos tipos de produtos. Mas para isso é preciso ampliar a área irrigada, hoje 6% do território, e dobrar a área plantada em 100%.
 
 
Agência Ciesp de Notícias
Nivaldo Souza
11/08/2008