9º Encontro de Energia: Na visão dos CEOs, equilíbrio entre oferta e demanda de energia no país ainda é frágil - CIESP

9º Encontro de Energia: Na visão dos CEOs, equilíbrio entre oferta e demanda de energia no país ainda é frágil

 

Segundo executivos da Tractebel, EDP e Camargo Correa, Brasil precisa duplicar potência instalada em dez anos

O equilíbrio entre oferta e demanda de energia elétrica no País é frágil e pode ser quebrado a qualquer momento se o País não duplicar a capacidade instalada nos próximos dez anos, concordaram os CEOs da Tractebel, EDP – Eletricidade de Portugal e Camargo Corrêa durante debate realizado segunda-feira (13) no 9º Encontro de Negócios de Energia, que prossegue nesta terça-feira no Hotel Unique, na Capital.

Os palestrantes do painel coordenado por Fernando Xavier Ferreira, presidente do Conselho Superior de Infra-Estrutura (Coinfra) da Fiesp, reconheceram também que há grande potencial de negócios no setor, mercado visado também pelas grandes companhias estrangeiras.

Antônio Pita de Abreu, da EDP, disse que o Brasil é excelente oportunidade de investimento e que a empresa prosseguirá com seus projetos no País “sem hesitação”, a despeito das turbulências no setor financeiro internacional. “A nossa meta é aumentar a produção de energia de 2,5 mil megawatts (MW) para 3,5 mil MW ao ano”, garantiu o CEO da EDP.

A EDP opera em vários países da Europa, com ênfase na produção de energia eólica, fonte que, segundo o executivo, é alternativa viável no Brasil. “Ao contrário do continente europeu, onde os ventos ocorrem em 25% do ano, no Brasil esse percentual é de 35%. Isso representa um potencial de 143 mil megawatts, o dobro da atual capacidade instalada”, comparou.

José Aires, da Camargo Corrêa, observou por sua vez que “o mundo está sedento de energia”, cujo consumo deverá dobrar até o ano de 2035. No Brasil, segundo Aires, essa demanda deverá ocorrer com velocidade ainda maior, seja pela demanda reprimida existente, seja pelo novo ciclo de desenvolvimento. “O País possui potencial hidráulico de 263 mil megawatts, dos quais apenas 25%, ou 67 mil MW, são explorados.”

Leilões
A forma com que são organizados os leilões para compra de energia foi questionada pelos debatedores. Pita Abreu propôs novos leilões de reserva para compensar a expansão através das usinas termoelétricas, que apresentam alto custo de operação.

Outras sugestões foram apontadas pelos palestrantes. “É preciso aperfeiçoar o modelo”, observou Manoel Arlindo Zaroni Torres, da Tractebel, que indicou, por exemplo, que o cálculo de redução da Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (Tust), seja feito antes da operação de venda.

O executivo chegou a propor mudanças na legislação que regula a prorrogação das atuais concessões para geração e distribuição de energia. “Tudo o que não queremos é ter novos competidores atuando em condições mais favoráveis do que aquelas que valem para os que já operam no mercado”, afirmou Torres.

Fernando Xavier, mediador dos debates, destacou o alto nível das exposições e a preocupação comum com meio ambiente. “Em todos os projetos e empreendimentos, há uma consciência do investidor com o aspecto da sustentabilidade, o que tem direcionado os empreendimentos para a produção de energia limpa”, assinalou o presidente do Coinfra/Fiesp.

Rubens Toledo

Agência Indusnet Fiesp
14/10/2008