9º Encontro de Energia: Discussão sobre etanol começa de forma discriminatória, afirma coordenador de Conselhos da Fiesp - CIESP

9º Encontro de Energia: Discussão sobre etanol começa de forma discriminatória, afirma coordenador de Conselhos da Fiesp

 

Em debate, Sérgio Amaral lembrou que o biodiesel produzido na Europa já é aceito como commodity ambiental pela OMC

Conseguir que o etanol seja reconhecido como commodity ambiental é uma das principais metas comerciais do Brasil, que, ao lado dos Estados Unidos, ocupa posição de destaque na produção mundial de biocombustíveis. No entanto, o projeto tem encontrado resistências no âmbito da OMC.

A constatação é do embaixador Sérgio Amaral, coordenador dos Conselhos Superiores Temáticos da Fiesp, que participou do debate sobre as perspectivas de desenvolvimento do mercado mundial de biocombustíveis, realizado nesta terça-feira (14) durante o 9º Encontro de Negócios de Energia do Ciesp.

Segundo Amaral, tanto a Organização Mundial do Comércio (OMC) quanto os países reunidos na Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, realizada em Bali, Indonésia, em dezembro do ano passado, reconheceram a contribuição do biodiesel para a mitigação das emissões de gases causadores do efeito-estufa. O mesmo não aconteceu em relação ao etanol.

“A Europa está se firmando como produtora de biodiesel a partir de sementes oleaginosas, o que pode explicar o tratamento diferenciado”, disse o embaixador. “E, por enquanto, o Brasil parece ser o único país a gozar de condições ideais para a produção de etanol, sem impactar o meio ambiente e sem ameaçar outras culturas, graças principalmente à grande disponibilidade de terras para o cultivo”, completou.

Grupo de nações produtoras
Outro ponto fundamental para que o etanol efetivamente passe a ser uma commodity é a consolidação de um grupo de países produtores.

“Temos mais de uma dezena de produtores mundiais de petróleo, e nenhum país vai trocar a dependência em relação a estes fornecedores para se tornar dependente do etanol que, na atualidade, só o Brasil e os Estados Unidos produzem em grande escala”, ponderou Amaral.

O embaixador, que foi Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no período de 2001 a 2002, ressaltou que alguns passos já estão sendo dados neste sentido, com a transferência da tecnologia brasileira para países caribenhos e africanos que dispõem de condições climáticas semelhantes às brasileiras. Ele também apontou a importância de haver uma padronização do produto.

Sílvia Lakatos
Agência Indusnet Fiesp
14/10/2008