9° Encontro de Energia: Petrobras e governo confirmam investimentos em gás natural para suprir termoelétricas e indústrias - CIESP

9° Encontro de Energia: Petrobras e governo confirmam investimentos em gás natural para suprir termoelétricas e indústrias

 

Geradoras de energia vão superar setor produtivo em consumo após de interligação de gasodutos e aumento da produção
 
As usinas termoelétricas que produzem eletricidade a partir da queima de gás natural (GN) serão as principais consumidoras do energético a partir de 2012, quando o mercado nacional atingir o volume de 134 milhões de metros cúbicos diários. As geradoras consumirão 48 milhões de m³/dia. Já o setor industrial passará para o segundo lugar, com 42 milhões. Atualmente, a proporção é 29 milhões de m³/dia para o setor produtivo e 15 milhões para as termoelétricas.
 
Os números foram divulgados nesta terça-feira (14) por representantes da Petrobras e do Ministério de Minas e Energia (MME), em debate sobre oferta e competitividade, realizado no 9º Encontro de Negócios de Energia do Ciesp.
 
A maior oferta será acompanhada pela interligação da rede de distribuição, que deve passar de sete para dez mil quilômetros nos próximos quatro anos. Os investimentos na rede logística e na exploração de novas reservas custarão R$ 38 bilhões. Com isso, o Brasil dobrará os atuais 64 milhões de m³/dia, responsáveis por 9% de sua matriz energética.
 
De acordo com o Secretário-adjunto de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis do MME, João José Nora Souto, a prioridade do governo federal é concentrar esforços no planejamento da produção e da distribuição. "O Brasil oferece alto poder de oferta de gás natural e o grande desafio é atender a crescente demanda por este ente energético", avalia.
 
Reservas
O aumento será possível a partir da exploração de reservas como Mexilhão, na Bacia Santista, que deve abastecer a rede com 20 milhões de m³/dia, através de um gasoduto que será construído entre Caraguatatuba (Litoral Sul de São Paulo) e Taubaté. Já em 2009, a Petrobras fará um “furo direcional” para retirar 5 milhões de m³/dia.
 
A estatal e a Secretaria de Saneamento e Energia assinaram um protocolo de intenções para agilizar o processo de licenciamento ambiental para a obra. “O objetivo de São Paulo é se tornar um grande entroncamento de gasodutos”, revelou o Coordenador de Energia da Secretaria, Jean Cesare Negri.
 
O chamado “gás associado”, retirado junto com o petróleo extraído de campos como o pré-sal, não foi computado pela Petrobras e o MME, indicando que a produção pode ser ampliada. Em 2009, a estatal vai executar o Projeto Piloto Tupy, para verificar a qualidade do gás no campo santista.
 
Mercado livre
A descentralização da rede de distribuição sob controle da Petrobras foi apontada como condição vital para a competitividade do energético no setor produtivo pelo representante da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Marcos Gusmão.
 
Segundo ele, a existência de um único operador impede os compradores de negociar preços menores. “Precisamos de mais distribuidores, a molécula de gás deve ser negociada pelas empresas, a autoprodução precisa ser incentivada e a importação liberada”, afirmou.
 
Em resposta, o Gerente Executivo de Logística e Participações em GN da Petrobras, André Lima Cordeiro, disse que o gás natural não é caro no Brasil. “Se fosse, os consumidores já teriam buscado outros combustíveis”, argumentou, indicando que a importação de gás natural liquefeito (GNL) é liberada mas não compensa devido a variação de preço no mercado internacional.
 
Cordeiro afirmou que o aumento da produção brasileira irá diminuir a dependência por gás importado, redirecionando a participação da Bolívia, cujo limite de 31 milhões m³/dia previsto no contrato do Gasbol já foi atingido. O país vizinho fornece, atualmente, quase 50% do insumo consumido pelo Brasil.
 
Prioridades
Embora projeção do MME indique que 90% do GN aqui comercializado será produzido internamente até 2016, o gerente da Petrobras sinalizou que o país continuará importando o energético. “Não há gás nacional para atender a demanda. Ainda temos gás barato, mas precisaremos importar e importado é caro”, concluiu.
 
Para o ex-ministro de Minas e Energia e atual Assessor Relações Governamentais e Institucionais da Fiesp, Rodolpho Tourinho, as termoelétricas devem ser priorizadas em caso de deficiência nas hidroelétricas. "O gás deve ser usado para garantir a segurança da matriz energética e assegurar o nível dos reservatórios em períodos de seca", considerou.
 
Já o diretor da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), Zevi Kann, pontuou que a decisão sobre destinos emergenciais em situações de escassez de GN deve sair da esfera da Petrobras e ser previamente determinada por normas jurídicas elaboradas pelo MME e os estados. "A cada crise ocorre a problemática de não haver regras claras sobre o uso do gás. A Petrobras decide quem terá o fornecimento cortado e o volume, os estados não decidem essas questões",  criticou.
 
 
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Nivaldo Souza
Agência Ciesp de Notícias
14/10/2008