9° Encontro de Energia: Investir em combustíveis alternativos é necessidade ambiental e de segurança energética, diz embaixador da UE - CIESP

9° Encontro de Energia: Investir em combustíveis alternativos é necessidade ambiental e de segurança energética, diz embaixador da UE


João Pacheco destacou que a Europa pretende estabelecer “critérios de sustentabilidade” para produção e importação de biocombustíveis

Os países europeus têm pelo menos dois bons motivos para investir de maneira cada vez mais vigorosa no desenvolvimento dos biocombustíveis, garante o embaixador da União Européia no Brasil, João Pacheco.

“Precisamos reduzir as emissões veiculares, responsáveis por quase 20% dos gases de efeito-estufa lançados na atmosfera, e diminuir a dependência em relação ao petróleo, que responde por 98% da matriz energética européia”, ressaltou Pacheco, durante os debates sobre o mercado mundial de biocombustíveis realizados nesta terça-feira (14), durante o 9º Encontro de Negócios de Energia do Ciesp.

Hoje, a Europa está aumentando de maneira significativa a produção de biodiesel derivado de sementes oleaginosas, principalmente de soja. Já o etanol tem uma produção pouco significativa, na qual sobressai a França, produtora de etanol de beterraba.

Mas a necessidade de ampliar a participação dos combustíveis limpos e renováveis em sua matriz energética não parece ser o bastante para que a União Européia se disponha a suspender as barreiras tarifárias ao etanol brasileiro: “Depois do fracasso de Doha, impõe-se a necessidade de apostar nos acordos bilaterais”, constata Pacheco.

Critérios de sustentabilidade
O embaixador europeu também ressaltou que a Europa está definindo “critérios de sustentabilidade”, tanto para a produção quanto para a importação de combustíveis alternativos.

“Por uma questão de coerência, entendemos que é necessário assegurar a proteção à biodiversidade e à sobrevivência das florestas”, ressaltou Pacheco.

Para muitos produtores brasileiros, os argumentos ambientais da União Européia não passam, na realidade, de mecanismos de proteção de mercado.

O coordenador dos Conselhos Superiores Temáticos da Fiesp, embaixador Sérgio Amaral, que participou do mesmo painel de discussões, observou que “o mundo globalizado começa a dar sinais de fadiga, e a atual crise financeira pode levar à retomada de velhos instrumentos protecionistas”.

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Sílvia Lakatos
Agência Indusnet Fiesp
14/10/2008