85% das indústrias começam o ano com intenção de investir - CIESP

85% das indústrias começam o ano com intenção de investir

 

Uma pesquisa realizada em março com 601 indústrias associadas ao Ciesp revelou que as intenções de investimento para este ano são altas, apesar da crise na economia norte-americana e da ameaça de escassez de energia. Segundo o levantamento, que faz parte do projeto Rumos da Indústria Paulista, 85% das empresas pretendiam investir até o mês passado, o que resultaria em um aumento médio de 19% na capacidade de produção.

 
O estudo apontou que, em média, o planejamento das empresas corresponde a investimentos 13% maiores do que em 2007. Também foi avaliada a origem do valor investido: 71% das empresas consultadas pretendem investir com capital próprio; 32% buscarão recursos junto ao BNDES-Finame e 25% recorrerão ao financiamento interno via bancos comerciais. Por outro lado, nenhuma empresa declarou intenção de abertura de capital na Bolsa de Valores.
 
Ainda de acordo com a pesquisa do Ciesp e da Fiesp, a maioria (71%) das indústrias afirmou que os investimentos serão destinados à compra de novos equipamentos, e 44% devem investir em sistemas de produção. Também foram planejados investimentos em treinamento de mão-de-obra por 33% da amostra; ampliação ou aquisição de nova planta industrial (32%) e tecnologia da informação (26%). A opção por investimentos em P&D foi assinalada por apenas 14% das empresas consultadas.
 
Mudança de cenário
Para 89% da amostra, a intenção de investimento em relação a 2007 não mudou mesmo diante da crise imobiliária nos Estados Unidos, cujos efeitos ainda são desconhecidos para a economia brasileira. O risco de um eventual apagão energético também não alterou os projetos da maioria das empresas (93%). No entanto, o Ciesp e a Fiesp já identificam a possibilidade de uma mudança de planos após a alta da taxa básica de juros (Selic) – de 11,25% para 11,75% ao ano – anunciada na semana passada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
 
Para Paulo Francini, diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades, a mudança de comportamento do BC tem um peso mais simbólico do que numérico, no que diz respeito às expectativas dos empresários. “O comportamento da indústria estava calcado num ciclo virtuoso de crescimento. É óbvio que, diante de uma mudança de cenário, a vontade de investir será afetada”, comentou o diretor, durante a divulgação do nível de emprego industrial de março.
 
Rumos da Indústria Paulista – clique para ver a pesquisa na íntegra

 
Foto: Agência Senado
 

Agência Ciesp de Notícias
Mariana Ribeiro
22/04/2008